<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2403770314609331932</id><updated>2012-01-23T08:14:58.623Z</updated><title type='text'>CODA</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>João Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07559125398909865447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>16</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2403770314609331932.post-7905169897042902712</id><published>2011-05-28T19:40:00.009+01:00</published><updated>2011-06-08T21:57:55.364+01:00</updated><title type='text'>The Tree of Life- Eine Symphonie auf dem Bildschirm</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.moviemobsters.com/wp-content/uploads/2010/09/tree-of-life-movie.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 472px; height: 361px;" src="http://www.moviemobsters.com/wp-content/uploads/2010/09/tree-of-life-movie.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://i2.blogs.indiewire.com/images/blogs/theplaylist/archives/celestial-moon-tree-of-life.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Não é a berrar que o Homem se faz ouvir, ou a brilhar que se faz ver. Perante a vastidão do Universo e a força bruta duma natureza fogosa e marulhenta, é apenas na criação artística que um ser tão diminuto no panorama universal arranja espaço para se impor. Quando em 1977 se tentou comunicar com vida extra-terrestre através do “&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Voyager Golden Record&lt;/span&gt;”, a música foi a grande protagonista, ocupando mais de uma hora na gravação. E não há de ter sido por acaso. O expoente máximo da humanidade reside na arte, e só através dela podemos expor algo que se faça realmente ver ou ouvir. É a nossa forma de ripostar face à insignificância que nos persegue.&lt;br /&gt;Não que toda a arte seja grandiosa ou que o deva tentar ser; grande parte da melhor arte prende-se com temas pequenos e inúteis, válidos somente para o usufruto do belo. Contudo, de quando em quando, algum génio de tímida frequência, qual Zeus dum Olimpo terrestre, despedaça-nos os sentidos com os seus raios criadores. De entre os poucos e ousados capazes de fazer jus à tarefa hercúlea de elevar um assunto apocalíptico aos céus, nomeiam-se sem dúvida &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Bach &lt;/span&gt;e &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Mahler&lt;/span&gt;, na música, não esquecendo os &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Requiems &lt;/span&gt;do &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Mozart &lt;/span&gt;ou do &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Fauré &lt;/span&gt;como exemplos proeminentes. No cinema, poucos igualam o cosmológico&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; 2001 Odisseia no Espaço &lt;/span&gt;ou atingem o estatuto de&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; Ingmar Bergman&lt;/span&gt; no &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Sétimo Selo&lt;/span&gt; ou no mais humano de todos os seus filmes: &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Persona&lt;/span&gt;. É através da arte que podemos mimetar a imensidão que nos envolve e é apenas com grandiosidade que essa imensidão pode ser satisfatoriamente imitada. Os esforços supérfluos para tratar os “grandes temas” são a escória da arte. Os profundos pouco esforçados, por outro lado, o seu auge.&lt;br /&gt;Eis que 100 anos após o fim de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Gustav Mahler&lt;/span&gt;, mais precisamente na semana em que se comemorou o centenário da &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.filmshaft.com/images/2010/09/malick-terrence-590x393-200x133.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 133px;" src="http://www.filmshaft.com/images/2010/09/malick-terrence-590x393-200x133.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;sua morte, &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Terrence Malick&lt;/span&gt; traz a Cannes o fruto dum trabalho de mais de 6 anos: &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;“The Tree of Life”&lt;/span&gt;. O seu quinto filme ou sinfonia de imagens, como alguns lhe chamam, que finalmente lhe deu a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Pa&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;lma de Ouro&lt;/span&gt;. Eu gosto de pensar que é a 11ª de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Mahler&lt;/span&gt;, e no fim explicarei porquê.&lt;br /&gt;Em 67 anos de vida e 42 de trabalho, realizar apenas 5 filmes é muito pouco. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Kubrick&lt;/span&gt; não andou muito longe disso, mas aos génios permitem-se loucuras. E a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Malick&lt;/span&gt;? Até ontem não tinha visto nenhum filme dele, mas se os outros 4 forem do nível deste 2011 Odisseia no Espaço, parece-me justo.&lt;br /&gt;As comparações com o filme de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Kubrick&lt;/span&gt; não se devem somente ao tema, o “Grande Mistério do Sentido da Vida”. Para além da análise da evolução da vida desde o Big Bang aos tempos de hoje, toda a realização e cinematografia demonstram uma acuidade no uso da câmara que se classificará, no mínimo, como poética. Se a delicadeza duma estação espacial dançante conjugada com um&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; Danúbio azul&lt;/span&gt; tecnológico ou a viagem final pelo tempo, espaço, cor, som e existência nos apanhou desprevenidos, a sequência cosmológica da origem, evolução, força e beleza do universo e da natureza, sustentada por uma &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Lacrimosa&lt;/span&gt; menos familiar e excertos de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;requiems &lt;/span&gt;pesados, também nos leva ao céu. E como se o paralelismo cosmológico com &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Kubrick &lt;/span&gt;não bastasse, a vertente humanística e religiosa de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Bergman&lt;/span&gt; também está presente. Não me parece casual a escolha de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Jessica Chastain&lt;/span&gt;, cara chapada de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Liv Ulmann &lt;/span&gt;há 40 anos, para desempenhar o papel quase mudo e recheado de close-ups duma mãe que eventualmente acaba por perder um dos filhos, qual Elisabeth Vogler ou &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Alma Mahler&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ocHE7aiQiH0/TSdfXaiN9kI/AAAAAAAAGJg/_6pFgkuwqUE/s1600/jessica-chastain-as-mrs-o-brien-in-the-tree.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 291px; height: 156px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ocHE7aiQiH0/TSdfXaiN9kI/AAAAAAAAGJg/_6pFgkuwqUE/s1600/jessica-chastain-as-mrs-o-brien-in-the-tree.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O tema do filme é imediatamente exposto no título e na citação de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Job &lt;/span&gt;que aparece logo no inicio. Começamos então por ver uma luz/chama espirituosa com presença intermitente em todo o filme e por ouvir uma mulher, em voz-off, a asserir: “There are two ways through life: the way of nature, and the way of Grace. You have to choose which one you'll follow.”&lt;br /&gt;A partir desse momento estamos cientes do tipo de filme a que vamos assistir. Uma “guerra” dicotómica entre a fé e a ciência, exposta dum ponto de vista céptico e inconclusivo.&lt;br /&gt;Meet the Obrien’s: Típica família da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;suburbia&lt;/span&gt; americana dos anos 50 constituída pelo Pater-familias (&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Brad Pitt&lt;/span&gt;), pela Mãe (&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Jessica Chastain&lt;/span&gt;) e pelos seus três filhos, Steve &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;(Tye Sheridan&lt;/span&gt;), R.L (&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Laramie Eppler&lt;/span&gt;) e Jack (&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Hunter McCracken&lt;/span&gt;), sendo este último o primogénito. A primeira imagem que temos deles é a da mãe (já nos anos 60?) a receber um telegrama (vindo da Guerra do Vietnam?) a anunciar a morte de um dos filhos (R.L, presumivelmente) e do pai a receber uma chamada com a mesma notícia. Os sons titânicos do início da &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;1ª sinfonia de Mahler&lt;/span&gt; (tão adequada como teriam sido as &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Kindertotenlieder&lt;/span&gt;) começam e a atmosfera é pesarosa. “O que é que pode suavizar a morte, que não a fé?” “Porque é que o quiseste assim?” “Fiz algo que Tu não aprovasses?” A chama reacende-se e a voz-off, arrepiante como no inicio, questiona-se.&lt;br /&gt;Seguidamente vemos um adulto de sucesso (mais tarde descobrimos ser Jack já adulto) (&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Sean Penn&lt;/span&gt;), num outro tempo e duma outra geração, na sua casa moderna e no seu posto de prestígio. Mas algo não está bem com ele. A sua cara denuncia tristeza e desespero extremo. Lembrava-se da morte do irmão.&lt;br /&gt;É então que o filme dá a sua primeira reviravolta. Entramos na tal viagem kubrickiana já mencionada e por fim voltamos aos O‘brien. Aqui a atmosfera já é outra, a morte é substituída por nascimento e o pesar por folia. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Mahler &lt;/span&gt;é trocado por &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Smetana &lt;/span&gt;e ouvimos um &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Moldeau&lt;/span&gt; alegre, jovial e caloroso. Nasce Jack.&lt;a href="http://i2.blogs.indiewire.com/images/blogs/theplaylist/archives/brad-pitt-the-tree-of-life-terrence-malick-image-big.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 268px; height: 192px;" src="http://i2.blogs.indiewire.com/images/blogs/theplaylist/archives/brad-pitt-the-tree-of-life-terrence-malick-image-big.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Por esta altura o filme ganha outro tom. Os assuntos cosmológicos e existenciais são postos de parte e a câmara foca-se no desenvolvimento ontogénico. Como no &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Amarcor&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;d&lt;/span&gt;, de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Fellini&lt;/span&gt;, assistimos aquilo que serão (presumivelmente) as memórias da infância de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Malick&lt;/span&gt;, dos seus pais, da sua cidadezeca interior e sulista, das suas idas à mercearia, do primeiro contacto com as caras do crime e da corrupção do mundo real. Eis que surge uma nova dicotomia, desta vez alegorizada pelos seus pais: “Father, Mother. Always you wrestle inside me. Always you will.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mr. O’Brien, simboliza o ideal conservador americano. Rigidez, patriotismo, mérito e esforço. Inspirado pelo “ex-barbeiro que hoje em dia possui mais de metade dos imóveis da cidade” e pelos desenvolvimentos tecnológicos da &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Pan Am&lt;/span&gt; (para a qual trabalharia?), O’Brien educa os seus filhos com morais inertes e baseadas no respeito. Certos momentos aterrorizantes como “Jack, do you love your father?” “Yes, Sir”, exprimem alguma desaprovação pela frieza deste método, mas as consequências práticas e a constante lembrança do negrume da sociedade apoiam-no, por outro lado, mantendo-se assim a imparcialidade e a dúvida. A Mãe, por sua vez, simboliza os valores altruístas (embora “fracos para enfrentar a realidade”) da benevolência, carinho, despreocupação e solidariedade. Apesar de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Malick &lt;/span&gt;dar maior ênfase aos problemas derivados da influência paterna (Jack torna-se frio, cruel e iradamente revoltado – Num piscar de olho ao &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Toy Story&lt;/span&gt; vemo-lo comparado a Sid, quando prende uma rã a um mini - foguetão - um dos muitos pastiches deste filme), é o outro irmão, mais parecido com a mãe, que morre aos 19.&lt;br /&gt;Mas nem todos os momentos desta parte do filme são de cariz reflexivo. Na maioria do tempo assistimos a momentos de cumplicidade entre os familiares, a momentos meramente evocativos das situações e sentimentos que melhor descrevem a vida, preenchidos por sinfonias de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Brahms&lt;/span&gt; ou pela eterna e vital&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; tocata e fuga em Ré Menor &lt;/span&gt;ou excertos do &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Cravo bem-temperado&lt;/span&gt;, de &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Bach&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Falando agora da prestação dos actores, pouco se-lhes pode apontar. Os seus papéis foram sempre mais passivos que activos, se bem que suficientemente expressivos e adequados. Sean Penn aparece poucos segundos, somente para florear o casting, e &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Brad Pitt&lt;/span&gt; (num papel inicialmente pensado para &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Heath Ledger&lt;/span&gt; ou&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; Colin Farrell&lt;/span&gt;) esteve à altura e &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Jessica Chastain &lt;/span&gt;e as crianças idem. O grande mérito é realmente de quem escolheu e caracterizou o casting.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.artinthepicture.com/artists/Gustav_Klimt/tree_of_life.jpeg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 409px; height: 219px;" src="http://www.artinthepicture.com/artists/Gustav_Klimt/tree_of_life.jpeg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;                                                  &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;    The Tree of Life - Gustav Klimt&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;“The Tree of Life”&lt;/span&gt; talvez peque por uma tirada menos boa, ou excessivamente melodramática, mas também não é no escasso diálogo que reside o seu cerne. Neste filme, qual sinfonia Mahleriana, assistimos a todas as sensações e emoções que compõem a vida. Passamos da realidade funesta e inquietante da morte duma criança para os fantasiosos momentos do júbilo natal e da potencialidade que tem uma vida. Sentimos o poder da arte, fruto duma criação artificial, e contrastamo-lo com a imponente e inigualável beleza natural. Viajamos do infinito ao ínfimo, do espaço à célula, do adulto ao infante. A árvore da vida é um filme fresco, quente, harmónico e avassalador. Toda a pujança da vida é pintada e reproduzida nas quase 2:30 horas que o filme ocupa que, apesar de longas, passam a correr. Tal como se diz da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;5/5&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Q&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2403770314609331932-7905169897042902712?l=french-fries-with-pepper.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/feeds/7905169897042902712/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2403770314609331932&amp;postID=7905169897042902712' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/7905169897042902712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/7905169897042902712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/2011/05/tree-of-life-eine-symphonie-auf-dem.html' title='The Tree of Life- Eine Symphonie auf dem Bildschirm'/><author><name>João Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07559125398909865447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ocHE7aiQiH0/TSdfXaiN9kI/AAAAAAAAGJg/_6pFgkuwqUE/s72-c/jessica-chastain-as-mrs-o-brien-in-the-tree.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2403770314609331932.post-7707815941090116157</id><published>2010-07-18T22:36:00.013+01:00</published><updated>2010-09-08T00:19:08.486+01:00</updated><title type='text'>Pequena excursão pelo cinema Psiquiatrico</title><content type='html'>Adepto desta enigmática ciência, é com extremo interesse e ânimo que vejo filmes cujo tema central é a Psiquiatria. &lt;br /&gt;Como tal, falar-vos-ei dos últimos filmes que vi sobre esta temática e deixarei algumas recomendações para interessados no assunto.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Spellbound (1945), de Alfred Hitchcock&lt;/span&gt; - Protagonizado pelo robusto icone desta geração - Gregory Peck - e pela bonita e  adorável Ingrid Bergman, Spellbound é uma incursão Freudiana duma psiquiatra recém-formada ao subconsciente dum esquizofrénico amnésico, feita com o intuito de provar a sua inocência face a uma acusação de homicídio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://28.media.tumblr.com/DBRnR67M4q4ssjysmViWVtrzo1_400.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 307px; height: 309px;" src="http://28.media.tumblr.com/DBRnR67M4q4ssjysmViWVtrzo1_400.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt; Com algumas cenas oníricas desenhadas pelo próprio Salvador Dali, Spellbound é quase inqualificável em termos de género, dada a mescla de acontecimentos que compõem este elaborado e astuto enredo. De Film Noir, a drama psicológico, a policial, tudo é insuficiente para categorizar esta obra-prima. Só resta mesmo uma palavra: Spellbinding.&lt;br /&gt;(5/5) &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Spider (2002), de David Cronenberg&lt;/span&gt; - Londres, anos 80. "Spider", um esquizofrénico paranóide, chega a uma instituição psiquiátrica onde começa, sozinho, a viajar mentalmente até à sua infância, 20 anos atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_o90BXtm5Faw/SfbX0OLAIII/AAAAAAAAA1s/u4IOgzt_FO0/s320/spider_cronenberg.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 232px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_o90BXtm5Faw/SfbX0OLAIII/AAAAAAAAA1s/u4IOgzt_FO0/s320/spider_cronenberg.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; Nessas suas deambulações assiste aos acontecimentos que levaram ao seu estado presente, nomeadamente, à morte da sua mãe. Serão, porém, estas percepções claras e verdadeiramente ilustrativas da realidade? Spider é uma brilhante película tecida por Cronenberg e magistralmente protagonizada por Ralph Fiennes que acaba por ser um dos melhores trabalhos de ambos estes grandes senhores do cinema actual. Imperdível&lt;br /&gt;(5/5)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;K-PAX (2001), de Ian Softley&lt;/span&gt; - A dupla Kevin Spacey e Jeff Bridges (que se encontram 7 anos depois em "The Men Who Stare at Goats") aparece aqui como paciente e terapeuta, respectivamente. Spacey afirma ser "Prot", um extra-terrestre do Planeta K-PAX, mundo em que há paz, dois sóis, auto-regeneração e teletransporte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://moviesmedia.ign.com/movies/image/k-pax_2.4.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 432px; height: 284px;" src="http://moviesmedia.ign.com/movies/image/k-pax_2.4.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Inicialmente ridicularizado, Prot começa a causar sucesso no hospital à medida que vai reabilitando pacientes supostamente incuráveis, a discursar eloquentemente sobre grandes teorias teológicas e físicas e apresentar novos factos à ciência terrestre. A sua tese é tão convincente que o próprio psiquiatra chega a pôr a hipótese de ser realmente verídica...Não é nenhuma obra-prima, mas ainda assim recomenda-se vivamente.&lt;br /&gt;(4.5/5)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Gaslight (1944), de George Cukor&lt;/span&gt; - Um ano antes de contracenar com Peck e trabalhar com Hitchcock em Spellbound, Ingrid Bergman já se tinha deparado com outro grande mestre do cinema Noir dos anos 40: George Cukor. Felizmente para a sua versatilidade enquanto actriz, desta vez apareceu como doente e não como doutora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_bzQchKv0KQA/SVIOQpGeovI/AAAAAAAAA3I/_A7GeoJoIQQ/s400/Boyer+Gaslight.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 220px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_bzQchKv0KQA/SVIOQpGeovI/AAAAAAAAA3I/_A7GeoJoIQQ/s400/Boyer+Gaslight.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Gregory Anton (Charles Boyer), aparenta ser o marido perfeito. Atencioso, presente, preocupado...extremamente preocupado...sinistramente preocupado...propositadamente preocupado? Um excelente drama psicológico e uma perfeita ilustração dos poderes da sugestão psicológica e do processo de enlouquecimento. Genial e perturbador.&lt;br /&gt;(5/5)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Shutter Island (2010), de Martin Scorsese &lt;/span&gt;, com Leonardo Dicaprio, Mark Ruffalo, Ben Kingsley e Max Von Sydow - Como amante de cinema, alimento uma fantasia de qualquer dia vir a realizar eu próprio um filme e, sempre que me imagino a fazê-lo, é um thriller psicológico deste género. Acredito, portanto, que realizadores conceituados como Scorsese e Kubrick cheguem a uma certa altura das suas esplendorosas carreiras e ponham a hipótese de fazer algo totalmente dedicado ao seu virtuosismo técnico, onde possam criar um ambiente apenas possível na tela. Mencionei Kubrick e não foi por acaso. Acho que este filme está para o Scorsese como está o Shining para o Kubrick e, inclusive, ao mesmo nível, senão melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://patrickwillems.files.wordpress.com/2010/01/shutter-island-leonardo-dicaprio.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 350px; height: 210px;" src="http://patrickwillems.files.wordpress.com/2010/01/shutter-island-leonardo-dicaprio.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; Brilhante, mesmo! (Não incluo nesta recomendação uma sinopse porque simplesmente é impossível fazê-lo sem estragar surpresas do mais agradável que há no cinema). Shutter Island triunfa tanto na história como no som, na imagem e nas actuações. Outra obra-prima de imperioso visionamento.&lt;br /&gt;(5/5)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Lilith (1964), de Robert Rossen&lt;/span&gt; - Last, but not least, eis um filme de que se ouve pouco falar. Protagonizado pela pecaminosamente bela Jean Seberg, Lilith (vejam a origem do nome na Wiki) é a história duma ninfomaníaca que tem um poder incomum (embora perfeitamente compreensível) sobre todos os homens que a rodeiam. Vincent (Warren Beaty), um ex-combatente que ingressa agora no hospital para trabalhar como enfermeiro e acompanhante é a sua nova presa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.victoriaeugenia.com/img/programacion/Nosferatu-Lilith.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 350px; height: 235px;" src="http://www.victoriaeugenia.com/img/programacion/Nosferatu-Lilith.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Lilith é um filme que, independentemente de toda a obscuridade que o envolve, só deixa transparecer beleza. Beleza encarnada na filmagem, na história, e na assustadoramente encantadora Lilith. De todos estes o melhor e o meu preferido. &lt;br /&gt;(6/5)    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://farm1.static.flickr.com/176/418154289_1205ba3d0d.jpg?v=0"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 500px; height: 281px;" src="http://farm1.static.flickr.com/176/418154289_1205ba3d0d.jpg?v=0" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Lilith&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recomenda-se ainda, dentro desta temática (alguns de forma mais indirecta):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;One Flew Over the Cuckoo's Nest (1975), de Milos Foreman&lt;/span&gt;; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;(5/5)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A Double Life (1947) - de George Cukor (5/5&lt;/span&gt;)&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The Silence of The Lambs (1991), de Jonathan Demme&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;(5/5)&lt;/span&gt; - Apesar do resto da sequela (Hannibal - 2001) ser desprezível. Até perdi a vontade de ver o terceiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Persona, de Ingmar Bergman (5/5)&lt;/span&gt; - Uma obra prima absoluta.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;The Shining (1980), de Stanley Kubrick (5/5)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Clockwork Orange (1971), de Stanley Kubrick (5/5)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moon (2009), de Duncan Jones (5/5)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crash (1996), de David Cronenberg (4/5)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Annie Hall (1977), de Woody Allen (4/5)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Barton Fink (1991), dos Irmãos Coen (4.5/5)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Recordações da Casa Amarela (1989) (5/5)&lt;/span&gt;, A &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Comédia de Deus (1995) (5/5)&lt;/span&gt; e já agora o último da triologia (este ainda não vi) &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;As Bodas de Deus (1999), de João César Monteiro.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Se7en (1995), de David Fincher (4/5)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fight Club (1999), de David Fincher (4.5/5)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mulholland Drive (2001), de David Lynch (5/5)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;American Psycho, de Marry Harron (4.5/5)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para além de todos estes filmes sugiro que dêem uma olhadela ao programa de cinema da Gulbenkian sobre doenças mentais. Alguns deles já mencionei, outros ainda não vi, mas vou certamente fazê-lo.  Eis a lista completa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;26 Maio Das Cabinet des Dr. Caligari de Robert Wiene&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9 Junho Spellbound de Alfred Hitchcock&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16 Junho The Snake Pit de Anatole Litvak&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23 Junho Les Yeux sans Visage de Georges Franju&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;30 Junho Peeping Tom de Michael Powell&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7 Julho Vivre sa Vie de Jean-Luc Godard&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14 Julho Shock Corridor de Samuel Fuller&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21 Julho Lillith de Robert Rossen&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;28 Julho Persona de Ingmar Bergman&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 Agosto Jaime de António Reis e Titticut Follies de Frederick Wiseman&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11 Agosto Zabriskie Point, de Michelangelo Antonioni&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18 Agosto One Flew over the Cuckoo’s Nest, de Milos Forman&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25 Agosto Elephant ,de Gus Van Sant&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Q&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2403770314609331932-7707815941090116157?l=french-fries-with-pepper.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/feeds/7707815941090116157/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2403770314609331932&amp;postID=7707815941090116157' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/7707815941090116157'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/7707815941090116157'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/2010/07/pequena-excursao-pelo-cinema.html' title='Pequena excursão pelo cinema Psiquiatrico'/><author><name>João Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07559125398909865447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_o90BXtm5Faw/SfbX0OLAIII/AAAAAAAAA1s/u4IOgzt_FO0/s72-c/spider_cronenberg.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2403770314609331932.post-5169870966313153626</id><published>2010-06-09T13:53:00.007+01:00</published><updated>2010-09-08T00:19:38.074+01:00</updated><title type='text'>Crash (1996), de David Cronenberg</title><content type='html'>Sou da opinião de que o bom crítico é aquele que avalia quantitativamente o seu objecto de uma forma totalmente imparcial, desprezando a experiência subjectiva (dentro do que é possível) e regendo-se apenas por um olhar objectivo; mas que uma boa crítica não se pode limitar aos números, sendo estes inúteis a partir da sua óbvia utilidade. Uma boa crítica deve conter um auxiliar textual onde o crítico possa explicar a avaliação numérica, contar algo de novo aos seus leitores, fazer recomendações e, acima de tudo, falar da sua experiência subjectiva tão abertamente ao ponto de esta deixar de comprometer o seu juízo crítico.&lt;br /&gt;Apenas guiando-me por estas regras algo desregradas posso falar de filmes que violentam os sentidos e chocam o espírito, não deixando de, no entanto, regalar o olho e o intelecto fascinado. Eis "&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Crash&lt;/span&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://godvsgodard.files.wordpress.com/2009/05/crash_.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 315px; height: 431px;" src="http://godvsgodard.files.wordpress.com/2009/05/crash_.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Baseado no romance homónimo de 1973 de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;J.G.Ballard&lt;/span&gt; e realizado em 1996 pelo canadiano &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;David Cronenberg&lt;/span&gt;, um dos maiores nomes da Horror-Sci-fi da história do cinema, criador de chocantes thrillers como &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Stereo(69), Scanners(80), The Fly (86), Dead Ringers (88), M.Butterfly(93)&lt;/span&gt; e mais recentemente &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;eXistenZ (99), Spider (02) e A History of Violence (05)&lt;/span&gt;, Crash, não menos gore que o resto dos seus filmes (nem que seja um gore psicológico), conta-nos a história de um grupo de indivíduos que apenas consegue obter prazer sexual ao observar ou experimentar acidentes de automóvel. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Protagonizado por &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;James Spader&lt;/span&gt; (o hilariante Alan Shore da série Boston Legal) e secundado por &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Holy Hunter, Elias Koteas, Deborah Kara Unger e Rosanna Arquette&lt;/span&gt;, este filme, muito pobre no que diz respeito ao enredo, podia ser traduzido em pornografia para parafílicos, neste caso, para pessoas com os mesmos desvios sexuais que aqueles que nele entram. Mas será que Cronenberg quer saber do enredo para alguma coisa? Não. &lt;br /&gt;Aquilo que o realizador tenta fazer não é contar uma história interessante sobre pessoas com esta ou aquela demência. É fazer-nos sentir aquela obsessão e guiar-nos por um mundo totalmente novo. Um mundo possível ainda que inverosímil em que o Eros e o Tanatos freudianos se misturam e atingem um cúmulo aparentemente irreal para o homem são; para o homem comum; normal.  &lt;br /&gt;A mestria técnica do realizador, a possante e hipnótica banda sonora e a entrega total dos actores nesta obra de arte do submundo criam no espectador uma sensação de desconforto constante a par duma curiosidade pungente. Não sabemos como reagir perante um erotismo tão familiar ao mesmo tempo que distante, chocante e até mesmo devasso. Cronenberg cria em nós uma mescla de sensações que insere este filme exactamente na classe daqueles a que me referia na introdução deste post. Filmes que embora não possamos realmente "gostar", podemos e devemos sempre admirar. &lt;br /&gt;Crash é um brilhante estudo socio-psicológico que apenas peca pelo excessivo arrastamento de algumas cenas e repetição de outras. Chega a uma altura em que o nosso desconforto não se deve apenas ao conteúdo do filme mas também ao fastidio provocado pelo mau enredo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Vaughan (Elias Koteas): "The car crash is a fertilizing rather than a destructive event." &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Nota Final: 4/5    &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Q&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2403770314609331932-5169870966313153626?l=french-fries-with-pepper.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/feeds/5169870966313153626/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2403770314609331932&amp;postID=5169870966313153626' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/5169870966313153626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/5169870966313153626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/2010/06/crash-1996-de-david-cronenberg.html' title='Crash (1996), de David Cronenberg'/><author><name>João Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07559125398909865447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2403770314609331932.post-3077746249539131881</id><published>2010-03-25T21:48:00.002Z</published><updated>2010-03-25T21:59:37.338Z</updated><title type='text'>Smultronstallet</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.librairielabourse.com/journal/fevrier01/images/Wild%20Strawberries.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 430px;" src="http://www.librairielabourse.com/journal/fevrier01/images/Wild%20Strawberries.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sequência do Post anterior, decidi fazer o mesmo para o meu último trabalho: Morangos Silvestres, do Ingmar Bergman.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ficha Técnica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realização: Ingmar Bergman&lt;br /&gt;Guião: Ingmar Bergman&lt;br /&gt;Cinematografia: Gunnar Fisher&lt;br /&gt;Elenco: Victor Sjöström (Dr Isak Borg); Bibi Andersson (Sara) ; Ingrid Thulin (Marriane Borg); Gunnar Björnstrand (Evald Borg); Jullan Kindahl (Agda); Folke Sundquist (Anders); Björn Bjelfvenstam (Viktor); Max Von Sydow (Henrik Åkerman)&lt;br /&gt;Ano de lançamento: 1957&lt;br /&gt;País de Origem: Suécia&lt;br /&gt;Cor: Preto e Branco&lt;br /&gt;Idioma: Sueco&lt;br /&gt;Duração: 91 minutos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumo:&lt;br /&gt;Quando Isak Borg (Sjöström), um viúvo, solitário e envelhecido médico atinge o 50º ano desde o início do seu mester, é feita uma celebração em sua honra, em Lund. Marriane (Ingrid Thulin), sua nora, ao saber que Isak vai de carro, decide acompanhá-lo.&lt;br /&gt;Durante a viagem, Marriane não cessa de criticar a conduta do seu sogro. Desde repreensões concernentes ao seu egoísmo e narcisismo a julgamentos quanto á sua insensibilidade e pedantismo, Isak não é poupado.&lt;br /&gt;À medida que a viagem avança, Isak e Marriane começam intimar-se um pouco mais, expandindo a sua relação de sogro-nora a algo mais caloroso. O médico tenta confidenciar-lhe preocupações que o atormentam e decide mostrar a Marriane a casa de férias da sua infância, fazendo um pequeno desvio na rota original.&lt;br /&gt;A partir desta parte a temporalidade do filme divide-se em 3: As memórias de Isak, o presente e a sua consciência.&lt;br /&gt;A sua primeira memória remonta ao tempo em que Isak era jovem e nutria uma paixoneta pela sua prima Sara (Bibi Andersson), com quem estava secretamente enlaçado. Invisível para os figurantes dos seus devaneios, Isak assiste à festa de anos do seu tio Aron (Yngve Nordwall), especialmente aos descuidos infiéis de Sara com o seu irmão [de Isak], Sigfrid (Per Sjöstrand).&lt;br /&gt;De repente, uma voz estranha acorda-o do seu universo interior. Sara (também interpretada por Bibi Andersson), uma rapariga em muito semelhante ao seu primeiro amor (não só no nome), juntamente com dois rapazes - Viktor (Björn Bjelfvenstam) e Anders (Folke Sundquist), pedem boleia até Lund.&lt;br /&gt;A viagem está animada e os Borg estão entusiasmados com a folia dos jovens. Porém, num acto altruísta, Isak oferece boleia a um casal que acabara de sofrer um despiste e uma consequente capotagem. Irascíveis e irritantes, os conjugues Alman (Gunnel Broström e Gunnar Sjöberg) começam a discutir e a bater-se perante os outros viajantes, importunando-os. Marriane, incomodada, expulsa-os do carro e a viagem continua.&lt;br /&gt;Depois de um agradecimento sincero de Herik Akerman (Max Von Sydow), um gasolineiro por quem o Dr. Isak Borg fez muito, e de um vigoroso almoço filosófico, Isak decide visitar a sua mãe, algo que não fazia havia muito.&lt;br /&gt;Aqui o filme volta a passar para outro plano, desta vez o da mente de Isak, que adormece. Depois do primeiro sonho (passado no início do filme mas mencionado apenas agora por motivos de estruturação desta sinopse alargada), em que Isak se vê sozinho numa ruela deserta e desconhecida, totalmente perdido e desorientado, até que aparece uma carroça arrastando um caixão com ele próprio lá metido; o protagonista tem um segundo sonho; este ainda mais perturbador:&lt;br /&gt;O sonho começa com Isak a contemplar, aterrorizadamente, Sara e o seu irmão Sigfrid, já adultos, juntos e felizes. A sua amada diz-lhe que tem de a esquecer e perdoar, deixando os&lt;br /&gt;fantasmas do passado para trás. Subitamente, o ambiente que o circunda muda e encontra-se numa sala de aulas universitária, prestes a fazer um exame, levado a cabo pelo supra mencionado Mr. Alman – um dos conflituosos conjugues. Este exame é feito à sua capacidade de se avaliar a si próprio psiquicamente (metaforizado através de exames médicos a outros pacientes, que Isak faz erroneamente). A conclusão é a de que é incapaz de o fazer. – É inconsciente, tendo, portanto, chumbado. O examinador diz-lhe então que é, entre outras coisas, amotivo, indiferente e egoísta. Citando um excerto da acusação: “Mr Borg é culpado de ter culpa”. Este exame pode também ser interpretado como um “teste” à personalidade de Borg, mas analisaremos isso mais à frente, noutra secção deste trabalho.&lt;br /&gt;Mais tarde o examinador leva-o a assistir à cena que talvez tenha mais marcado toda a sua vida. A infidelidade da sua mulher Karin. Assistimos também a Karin tecer uma panóplia de vitupérios dirigidos ao seu marido, acusando-o de frieza, cinismo e hipocrisia, dando especial ênfase à sua incapacidade de perdoar.&lt;br /&gt;Voltando à realidade, assistimos agora ao paroxismo de intimidade confidencial entre Marriane e Isak.&lt;br /&gt;Primeiro, a nora aceita ouvir os sonhos do sogro (algo que tinha recusado anteriormente). Segundo, Marriane conta-lhe o seu maior segredo: Que esteve grávida e que Evald (Gunnar Björnstrand), o seu marido (um afirmado niilista existencial), a obrigou a abortar, sob o pretexto de que trazer uma criança ao mundo só ia dar mais sofrimento a ele e ao bebé. Marriane, contudo, está ainda grávida, e acompanhou Isak até Lund para dizer ao seu marido que rejeita as suas condições.&lt;br /&gt;Finalmente chegam a Lund e a cerimónia corre como era esperado. É noite de festa mas Isak, dados os seus setenta e cinco anos, tem de se deitar cedo. Despede-se ternamente de Sara e dos seus acompanhantes, perdoa a dívida do filho, libertando-se da fama de avarento e medita sobre tudo o que se passara naquele dia. Fecha os olhos, volta ao seu mundo fantástico onde encontra a meiga Sara que lhe diz: “Isak, meu querido, já não há mais morangos silvestres”. Sorri. Abre os olhos. Morre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Análise Crítica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta análise crítica pretende-se focar o filme sob três pontos de vista diferentes:&lt;br /&gt;- Tecer especulações quanto às oscilações gnósticas do realizador, dando principal ênfase às suas crenças, convicções e dúvidas respeitantes a assuntos de cariz esotérico e existencial, através duma análise sintética aos filmes “O Sétimo Selo”, “A Fonte da Virgem” e, mais detalhadamente, “Morangos Silvestres”, dado o seu intimo entrelaçamento temático.&lt;br /&gt;- Interpretar o filme “Morangos Silvestres” dum ponto de vista psicológico, filosófico e explicativo.&lt;br /&gt;- Criticar os aspectos técnicos do filme, ao nível da realização e actuação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www2.brandonu.ca/Academic/Arts/Departments/english/Kramer/Images/Seventh%20Seal.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 280px; height: 230px;" src="http://www2.brandonu.ca/Academic/Arts/Departments/english/Kramer/Images/Seventh%20Seal.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Bengt Ekerot (esquerda) e Max Von Sydow (direita) em “O Sétimo Selo”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cingindo-me aos filmes que vi de Bergman, a primeira questão metafísica que vi o realizador colocar é posta em “O Sétimo Selo”, metaforizada através do jogo de xadrez mais famoso da história do cinema entre Antonius Block (Max Von Sydow, um dos actores fetiche de Bergman, protagonista da Fonte da Virgem e secundário n ‘ Os Morangos Silvestres) e a Morte (Bengt Ekerot). Reduzindo muito aquilo de que o filme trata, a conclusão de Bergman é simples: Independentemente daquilo em que creiamos, do que façamos ou tentemos fazer, a Morte é inevitável. Mais vale conformarmo-nos e aceitar o que nos está predestinado do que suar as estopinhas a tentar combater esse facto. Partindo desta conclusão, Bergman, outrora dúbio quanto à inevitabilidade da morte, pergunta-se “Se vou morrer, como posso fazê-lo feliz, dando sentido à minha vida?” Ou, por outras palavras, “Qual é o verdadeiro sentido da vida?”. Para responder a esta questão analisaremos todo o trajecto de Isak, tanto no seu universo interior como no mundo físico que o envolve, na sua viagem de Estocolmo para Lund.&lt;br /&gt;Logo no princípio do filme, Isak Borg começa por se descrever a si próprio como alguém adverso a relações sociais, o que o fez distanciar-se de qualquer contacto interpessoal, cingindo-se a pouco mais que si próprio. Isak considera-se, portanto, voluntariamente solitário. Assistimos depois a uma parafernália de críticas feitas pela sua nora Marrianne, que, como já vimos, o acusa de egoísmo, avareza, hipocrisia e dogmatismo. Inconsciente de ser tais coisas, o médico interroga-se: “Terá ela razão?”. Apercebendo-se da proximidade do seu fim (vaticinado através de sonhos fatídicos) e ponderando algumas das críticas da sua nora, Isak decide que é necessário redimir-se; Encetar uma odisseia interior com o propósito de apanhar todos os “Morangos Silvestres” da sua consciência, caso contrário não morrerá descansado.&lt;br /&gt;Qual é, então, o primeiro passo a tomar nesta demanda pela redenção? – Sara. Durante toda a sua vida Isak esteve rancoroso para com ela e o seu irmão Sigfrid. Não estará na altura de esquecer… aceitar… perdoar? Isak revê esse triângulo amoroso na amistosa Sara e os seus dois pretendentes – Viktor e Anders, substitutos dos vértices originais Sigfrid e Isak.&lt;br /&gt;Estando a consciencialização do primeiro passo concluída, por onde enveredar de seguida? Não é preciso procurar muito. A instável e conflituosa relação do casal Alman traz-lhe à memória a sua relação com Karin – a sua justificadamente infiel ex-mulher.&lt;br /&gt;Seguidamente, ao fazer uma terceira paragem para visitar a sua envelhecida mãe, Isak redime-se da falta de contacto que havia mantido com ela, e dá outro passo na sua aceitação do casamento Sigfrid-Sara, ao pedir à mãe para lhe dar uma fotografia dele com o irmão.&lt;br /&gt;A grande reviravolta psicológica e emocional de Borg dá-se no seu segundo sonho, pormenorizadamente relatado no resumo acima.&lt;br /&gt;É por esta altura que Isak se começa a aperceber que não foi ele quem se afastou voluntariamente do resto das pessoas, mas o oposto. A aversão era recíproca. Karin traiu-o pela sua frieza, indiferença e hipocrisia, sendo ele o principal culpado pelo desenlace trágico da sua atribulada relação. Sara era jovem e não tinha qualquer tipo de vínculo bem definido com Isak, o que torna inadmissível todo o seu ressentimento e incapacidade de perdão.&lt;br /&gt;Resumindo utilizando citações do filme, Isak falhou no cumprimento da primeira máxima dum médico: “ O principal dever de um médico é pedir perdão”.&lt;br /&gt;Sobre este sonho pode dizer-se ainda um pouco mais, no domínio das interpretações pessoais e subjectivas. Mr Alman, o examinador, pode ser visto, dum ponto de vista católico, como S.Pedro, guardião das portas do céu, que procedia a uma averiguação da idoneidade de Isak para transpor ou não a porta que este guarda. Por outro lado, o examinador pode ser visto como o Super-Ego de Borg, que tenta corrigir os desvios da conduta do protagonista quanto ao caminho necessário a morrer em paz.&lt;br /&gt;À medida que o filme avança, as convicções de Isak quanto ao sentido da vida vão-se transformando. Inicialmente partilhante das ideias do seu filho, de que a vida em si é desprovida de sentido e de que apenas a devemos viver por viver, desfazendo-nos de qualquer tipo de dependências que nos obriguem a vivê-la mesmo quando já não o quisermos (admitindo uma espécie de Niilismo existencial), Isak percebe que a vida deve ter como objectivo o alcançar de uma serenidade interior, um estado mental livre de remorsos e&lt;br /&gt;rancores mas repleto de boas e louváveis memórias. Que o verdadeiro sentido da vida é o de um homem poder chegar ao último dia da sua vida consciente de que ajudou os outros, de que era querido pelos que lhe são próximos (os sinceros agradecimentos do gasolineiro e os amáveis elogios e amistosas declarações da jovem Sara - “Pai Isak, fica sabendo que é a ti que te amo. Hoje, amanhã e para sempre”, bem como o evoluir da sua relação com Marriane; não esquecendo a sua enternecedora relação com Agda, sua empregada, fizeram-no compreender o que era realmente essencial e chegar a esta conclusão), de que é internacionalmente respeitado, de que fez, no fundo, coisas boas, libertando-se das más.&lt;br /&gt;Findando o seu percurso de renovação espiritual ao soltar-se da fama de avarento, perdoando a dívida de Evald, Isak atinge o estado que ambicionara, podendo, finalmente, morrer em paz.&lt;br /&gt;Outro problema presente neste filme é o da existência de Deus, mais tarde abordado pelo realizador em “A fonte da Virgem”.&lt;br /&gt;Através dos personagens Viktor e Anders, Bergman personifica as suas próprias dúvidas quanto a este tópico. A sua inclinação é, contudo, óbvia. Através da posição de Isak e de todo o providencialismo inerente a esta película, o realizador demarca a sua própria opinião. Para além de todas as alusões a Cristo e à religião católica (no seu sonho, Isak fura a mão com um prego, no caminho para a redenção), todas as coincidências ocorridas durante a viagem (aparecimento de uma rapariga idêntica a Sara num caso idêntico ao seu e do seu irmão, de um casal semelhante a Karin e a ele próprio) criam um paralelismo demasiado intimo para ser apenas coincidência, entre a sua viagem espiritual e física [de Estocolmo para Lund]. Essa excessiva intimidade sugere que terá havido uma intervenção divina em todo este dia, como se Deus os tivesse enviado propositadamente para ajudar Isak no seu caminho.&lt;br /&gt;Três anos mais tarde, Bergman volta a este problema na “Fonte da Virgem”, onde se questiona se fará sentido acreditar em Deus quando, mesmo levando uma vida virtuosa e dedicada a Ele, as piores coisas possíveis acontecem. Volta, contudo, a reafirmar a sua posição gnóstica no final do filme, numa deslumbrante cena em que Deus se manifesta milagrosamente perante os protagonistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_muown6tJ9s4/Sb_FHyyRwmI/AAAAAAAABGc/INyxegPY5CA/s400/virgin_spring.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 287px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_muown6tJ9s4/Sb_FHyyRwmI/AAAAAAAABGc/INyxegPY5CA/s400/virgin_spring.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;“A Fonte da Virgem”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Morangos Silvestres”, contudo, não se limita a expor questões filosóficas e psicológicas de forma nua e crua. Há uma componente extremamente heartwarming, até mesmo tocante, do princípio ao fim. Desde a evolução enternecedora da relação entre Isak e a sua nora às discussões amorosas e afáveis entre Dr. Borg e Mrs. Agda, o filme caracteriza-se por uma ternura capaz de sensibilizar o mais frio dos espectadores.&lt;br /&gt;Provavelmente no papel da sua vida (que por acaso foi o último), o actor e realizador sueco Victor Sjöström faz uma das interpretações mais brilhantes e comoventes de toda a história do cinema universal (mais uma vez, cinjo-me ao que vi – apesar das críticas mais exigentes concordarem). A para mim até então desconhecida, embora lindíssima Ingrid Thulin mostra como se pode demonstrar frieza, dramatismo e brandura sem o mínimo de over ou&lt;br /&gt;underacting, no mesmo filme. Gunnar Björnstrand, este já mais característico do espólio habitual de Bergman, faz justiça à predilecção do realizador, demonstrando-se genial.&lt;br /&gt;Quanto aquela que é provavelmente a minha actriz preferida, Bibi Andersson, pouco tenho a dizer. Apesar de lhe lamentar o talvez excessivo dramatismo na encarnação da Sara das memórias de Borg, o seu entusiástico e caloroso papel ao representar a Sara “moderna” redime qualquer erro que possa ter cometido e justifica, desta vez, a minha idiopatia.&lt;br /&gt;Passando para o campo da realização e componente estética do filme, digo apenas que me sinto quase ridículo a tecer julgamentos sobre um dos cineastas mais geniais de todos os tempos. Todo o filme é um exemplo perfeito de mestria técnica e dirigista, e nem a ausência do habitual cinematógrafo Sven Nykvist (substituído com excelência por Gunnar Fisher) tira a perfeição a esta obra-prima.&lt;br /&gt;Provavelmente um dos melhores filmes de Bergman e de sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Nota final:&lt;/span&gt; 5/5&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Q&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2403770314609331932-3077746249539131881?l=french-fries-with-pepper.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/feeds/3077746249539131881/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2403770314609331932&amp;postID=3077746249539131881' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/3077746249539131881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/3077746249539131881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/2010/03/smultronstallet.html' title='Smultronstallet'/><author><name>João Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07559125398909865447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_muown6tJ9s4/Sb_FHyyRwmI/AAAAAAAABGc/INyxegPY5CA/s72-c/virgin_spring.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2403770314609331932.post-1725239353352702996</id><published>2010-03-25T21:37:00.004Z</published><updated>2010-03-25T21:45:25.096Z</updated><title type='text'>Gentleman's Agreement</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.movieforum.com/people/actresses/dorothymcguire/images/gentlemansagreement.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 483px;" src="http://www.movieforum.com/people/actresses/dorothymcguire/images/gentlemansagreement.gif" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este Post tem como base um trabalho feito para a minha escola, na disciplina de Filosofia e Cinema, pelo que tem, portanto, um formato diferente daquilo que costumo fazer aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficha Técnica:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gentleman’s Agreement&lt;br /&gt;A luz é para todos&lt;br /&gt;Direcção: Elia Kazan&lt;br /&gt;Guião: Moss Hart (Baseado no romance de Laura Z. Hobson)&lt;br /&gt;Elenco: Gregory Peck (Philip Green); Dorothy McGuire (Kathy Lacey); John Garfield (Dave Goldman); Celeste Holm (Anne Dettrey); Anne Revere ( Mrs Green); June Havoc (Elaine Wales); Albert Dekker (John Minify)&lt;br /&gt;Ano de lançamento: 1947&lt;br /&gt;País de Origem: Estados Unidos da América&lt;br /&gt;Cor: Preto e Branco&lt;br /&gt;Idioma : Inglês&lt;br /&gt;Duração: 118 minutos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Resumo:&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viúvo e recém-chegado a Nova Iorque, o jornalista Philip Green (Gregory Peck) é requisitado pelo seu editor para escrever um artigo sobre Anti-semitismo. Inicialmente, Philip carece de ideias para a realização deste projecto, mas depressa percebe que ao fingir ser Judeu poderá escrever um artigo mais preciso e original, visto que seria vítima deste tipo de discriminação duma forma mais directa. O seu editor acha a ideia interessante e Philip é introduzido na sociedade Nova-Iorquina sob o véu do judaísmo.&lt;br /&gt;Certo dia, durante uma festa, Philip é apresentado a Kathy Lacey (Dorothy McGuire), a quem, descaindo-se, revela a sua verdadeira identidade. Pouco tempo depois iniciam uma relação amorosa, onde se centrará grande parte da história.&lt;br /&gt;É então que Philip, totalmente anti-intolerância, começa a descobrir que a revista para a qual trabalha, cuja fama é de ser liberal, é mais preconceituosa do que o que aparenta ser: Descobre que a sua secretária (June Havoc) é judia mas que, tendo tido a sua candidatura rejeitada aquando da sua primeira tentativa de obter emprego pelo facto do “lugar já estar preenchido”, volta a concorrer sob o pseudónimo de Elaine Wales, um nome americano, obtendo imediatamente o lugar. Em adição a isto, (numa cena memorável, comentada mais adiante neste trabalho) durante um almoço entre vários jornalistas ditos liberais, Philip sente-se discriminado pelo facto de “ser” judeu.&lt;br /&gt;Por esta altura aparece em Nova Iorque Dave Goldman (John Garfield), um amigo de infância de Philip que é realmente judeu. Apesar de estar satisfeito com o trabalho do seu companheiro, Dave aconselha-o a ter cuidado. A revolta contra a intolerância pode ser perigosa.&lt;br /&gt;Com o avançar da história o jornalista torna-se alvo de inúmeros casos de discriminação. Cancelamento de consultas médicas e impedimento de estadias em hotéis são alguns exemplos menores daquilo que vitimiza Philip. Contudo, o caso torna-se mais sério quando é o seu filho a ser vítima de injúrias desta índole. Os colegas, na escola, chamam-lhe “Porco Judeu” e, numa cena extremamente tocante, Tommy (Dean Stockwell) – o filho – queixa-se ao pai, embebido em lágrimas, por não perceber o porquê daquele tratamento.&lt;br /&gt;Ao longo do tempo, Philip vai detectando em Kathy alguns sinais de anti-semitismo dissimulado que o transtornam. Cenas como a indisponibilidade de Kathy para ajudar Dave a combater a discriminação de que é alvo, as tentativas de reconforto a Tommy dizendo-lhe para não ficar chateado porque ele na realidade não era um “Porco Judeu”, que estava apenas a fingir; enfim, a inércia de Kathy perante a discriminação e todo o conformismo envolvente nas suas acções e atitudes fazem com que Phil cancele o casamento (estavam noivos) e acabe a relação. Revoltado, Phil decide abandonar Nova Iorque assim que o artigo seja publicado.&lt;br /&gt;É publicado. É um sucesso.&lt;br /&gt;Estava já Phil preparado para abandonar a cidade quando Kathy, depois duma longa conversa com Dave, se apercebe da estupidez dos seus actos e do quão horrível é, de facto, a intolerância. Pede desculpa a Phil e este aceita. Reconciliam-se e o filme acaba.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Análise Crítica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a leitura deste resumo ou a visualização deste filme, facilmente se percebe que o tema sobre o qual esta peça cinematográfica gira é a intolerância; mais concretamente o anti-semitismo. Por esta altura (finais da segunda Grande Guerra) os Estados Unidos eram um abrigo para muitos judeus, que, com medo da perseguição Nazi, decidiram exilar-se na “Terra das Oportunidades”. Percebe-se então a principal origem da grande afluência judaica para os Estados Unidos da América. Ora, como em todas as migrações, o choque cultural é algo inevitável, o que leva as mentes mais retrógradas a acabar por catalogar a cultura migrante como “invasora” e, por conseguinte, censurá-la e discriminá-la.&lt;br /&gt;Porém, aquilo que para mim é mais curioso e atraente neste filme é o facto de não tratar do Anti-Semitismo radical, mas sim do dissimulado. Estamos já todos fartos e cientes do problema abordado em filmes sobre grupos Neo-Nazis ou racistas radicais. Está errado, não devemos fazer e devemos combater. Este filme não é nada disso. Os grandes problemas aqui tratados são algo de muito mais inconsciente, comum e actual: A hipocrisia social, o conformismo perante a discriminação e a indiferença que afecta uma grande maioria.&lt;br /&gt;Apesar de já ter visto este filme há cerca de quatro meses, uma das cenas descritas acima (creio ter mencionado que lhe voltaria a pegar mais tarde – agora) continua visível na minha cabeça duma forma tão clara como da primeira vez que a vi. Absolutamente fascinante:&lt;br /&gt;-Durante um almoço, Philip e o seu projecto sobre Anti-Semitismo são apresentados perante os membros da revista. Inicialmente recebido com copiosa cortesia, Phil senta-se e diz algo como “acho que este trabalho é importantíssimo, independentemente do meu próprio judaísmo”. Todos os convidados se calam, baixam os olhos e começam a comer. O silêncio pesa sobre a atmosfera da sala, que se torna lúgubre e taciturna.&lt;br /&gt;Começam aqui as críticas de Kazan (ou da escritora Laura Hobson) aos grupos americanos pseudoliberais. A repentina mudança de atitude dos jornalistas outrora entusiasmados com a chegada de Phil demonstra perfeitamente o fingimento exercido por todas estas figuras. Um óptimo caso para ilustrar a hipocrisia que afecta esta sociedade aparentemente “ultra-civilizada”.&lt;br /&gt;No que diz respeito ao conformismo, creio que esse problema é personificado através da personagem Kathy. Os contínuos pedidos de desistência a Philip, a constante imobilidade diante situações-problema e a passividade perante comportamentos intolerantes que esta personagem experiencia no decorrer do enredo, conjugam-se na personagem-tipo pretendida com esta protagonista feminina. O típico conformista.&lt;br /&gt;Passando agora à análise do título, acho que a podíamos dividir em duas vertentes: O original e o traduzido.&lt;br /&gt;Ao contrário de “Gentleman’s Agreement” (acordo entre cavalheiros), “A luz é para todos” é um título facilmente inteligível e perfeitamente adequado. A ideia da “luz ser para todos” metaforiza a igualdade a que todos temos direito enquanto seres humanos. Uma abolição de culturas ou de fronteiras no que diz respeito à distribuição de direitos. Não obstante, no que diz respeito ao título original; ou fui eu que não percebi muito bem ou o título não se adequa tanto. O único “acordo de cavalheiros” a que se assiste no filme (creio) é realizado entre o protagonista e o seu editor, quando Philip se compromete a fingir ser Judeu. Podemos também interpretar este título como um acordo realizado entre o jornalista e a sua&lt;br /&gt;própria consciência de que não iria desistir desta luta pelos direitos dos Semitas, ou um acordo tácito realizado entre os membros da sociedade americana, comprometendo-se a não falar sobre o assunto. Esta interpretação é, contudo, algo rebuscada para o meu gosto. Todavia, posso sempre estar errado e não ter percebido o título.&lt;br /&gt;Enquanto filme, Gentleman’s Agreement é irrepreensível. Toda a direcção e escolha de actores, selecção de cenários, diálogos e cenas não têm qualquer erro a apontar. Kazan mostrou-se ser um realizador digno da fama que tem e Gregory Peck não teve problemas em fazer jus à importância do seu personagem. Aliás, a palavra-chave é mesmo essa. Importância. “A luz é para todos “ não foi um filme feito para ser belo, para ser louvado como uma obra-prima do cinema americano nem para se destacar como um clássico. É simplesmente um filme &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;necessário&lt;/span&gt; cuja importância jaz no efeito que esta mensagem tem no espectador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Nota Final&lt;/span&gt;: 5/5&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Q&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2403770314609331932-1725239353352702996?l=french-fries-with-pepper.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/feeds/1725239353352702996/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2403770314609331932&amp;postID=1725239353352702996' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/1725239353352702996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/1725239353352702996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/2010/03/gentlemans-agreement.html' title='Gentleman&apos;s Agreement'/><author><name>João Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07559125398909865447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2403770314609331932.post-6720542302304459653</id><published>2010-03-13T21:04:00.010Z</published><updated>2010-03-14T00:35:22.979Z</updated><title type='text'>Bach na Gulbenkian</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.peakviewmusic.com/J.S.Bach%20Hausemann.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 250px; height: 347px;" src="http://www.peakviewmusic.com/J.S.Bach%20Hausemann.jpg" alt="" border="0"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Johann Sebastian Bach (1685-1750)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois dum majestosamente descalibrado&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; Schiff&lt;/span&gt; e dum entusiasticamente virtuoso &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Yoyo-Ma&lt;/span&gt;, o auditório da Gulbenkian foi palco duma sucessão tripla dedicada à música antiga, mais especificamente a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Bach&lt;/span&gt;. Desta forma, o ensemble&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; Café Zimmermann&lt;/span&gt; tocou, em dois dias, 7 e 11 de Março, o integral dos concertos brandeburgueses (1-6) e dois concertos do mesmo compositor: Concerto para Cravo em Fá menor e Concerto para dois Violinos em Ré menor. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Andreas Staier&lt;/span&gt;, por outro lado, tocou as 32 &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Variações Goldberg&lt;/span&gt;, BWV 988, no cravo, a 9 de Março. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2009.eif.co.uk/files/images/A.-Staier-1-credit-Alvaro-Yanez.preview.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 230px; height: 150px;" src="http://2009.eif.co.uk/files/images/A.-Staier-1-credit-Alvaro-Yanez.preview.jpg" alt="" border="0"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Andreas Staier&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Principiando pela exibição solista, creio ser pertinente introduzir um pequeno parêntesis sobre a peça em questão:&lt;br /&gt; - Aquando da sua estadia em Leipzig, por volta de 1741, Bach, por encomenda dum Conde que sofria de insónias, compôs um conjunto de 30 variações (e uma ária repetida no início e fim da peça, servindo de base para todo o resto), com o intuito de o entreter nessas noites em claro. Como o conde tinha o seu próprio cravista, um jovem de 14 anos chamado Goldberg, Bach achou por bem atribuir o seu nome à peça que lhe era dirigida, nascendo, então, as Variações Goldberg, homónimas do seu primeiro e original intérprete.    &lt;br /&gt;Actualmente as variações Goldberg são tocadas também no piano, sendo &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Glenn Gould&lt;/span&gt; o intérprete que as consagrou neste instrumento, fazendo-o em 1955 para a Columbia Records, numa gravação que lhe impulsionou a carreira e repetindo a graça em 1981 para a Sony, com uma interpretação quase duas vezes mais lenta. Recomendo vivamente a segunda de Gould e a de Schiff (Decca Originals) a qualquer apreciador de Bach.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Gv94m_S3QDo&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Gv94m_S3QDo&amp;hl=pt_PT&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Findada esta breve introdução, falar-vos-ei agora do concerto que me comprometi a comentar. Habituado ao piano, nunca tinha ouvido uma rendição integral desta peça no cravo, tendo ido para o auditório com expectativas divididas quanto a esta peça: Por um lado, prefiro Bach tocado no piano que no cravo; por outro, as Variações Goldberg são provavelmente a minha peça preferida de Bach para um instrumento de teclas…&lt;br /&gt;Independentemente das minhas ânsias, o concerto começou e Staier definiu na ária imediatamente o tempo que iria demarcar o resto das variações. Marcando algo não tão lento como a segunda gravação de Gould mas não tão rápido como a primeira, Andreas presenteou-nos com um meio-termo agradável e equilibrado, ao mesmo tempo que pessoal e expressivo. Toda a peça foi fluindo com naturalidade, não divergindo muito da sua versão no piano, até à 8ª variação, onde começou a principal disparidade entre a versão cravística e a do seu sucessor evolutivo. Aqui o intérprete passou a tocar a peça em dois teclados (verticalmente sobrepostos) dando uma dinâmica às variações impossível de atingir com o piano. É também de notar alguns efeitos que nunca tinha ouvido serem feitos (ainda não sei como) com o segundo teclado, tornando esta peça ainda mais polifónica do que já era. &lt;br /&gt;É também de notar (apesar de com alguma infelicidade) o comportamento lastimável da plateia da Gulbenkian, que parece não se curar. As constantes tossidelas entre os andamentos (e não nos apogeus sonoros, como é recomendado) têm um efeito ainda mais notório na presença de solistas, o que até levou Andreas Staier, demonstrando um sentido humor cáustico, a tirar um rebuçado para a tosse do bolso a meio do concerto e ingeri-lo perante todos os seus assistentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://cultura.sapo.pt/images/eventos2/CafeZimmermann222_e2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 500px; height: 265px;" src="http://cultura.sapo.pt/images/eventos2/CafeZimmermann222_e2.jpg" alt="" border="0"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Café Zimmermann&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passando agora para os dias 7 e 11, farei também, à semelhança do parágrafo anterior, uma pequena introdução concernente às peças em questão, e, desta vez, também aos seus intérpretes.   &lt;br /&gt;      Formado em 1998 por &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Pablo Valetti&lt;/span&gt; (violinista) e &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Céline Frisch &lt;/span&gt;(cravista), o ensemble Café Zimmermann é uma formação orquestral cuja quantidade de músicos varia entre os 6 e os 25. Dedicado especialmente à música antiga, este grupo foi buscar o seu nome ao Café de Gottfried Zimmermann, situado na Rua de Santa Catarina, em Leipzig, que no século XVIII acolhia concertos semanais do Collegium Musicum, um grupo fundando por Telemann e dirigido por Bach entre 1729 e 1739. &lt;br /&gt;260 após a morte de Bach, o ensemble Café Zimmermann realizou esta sessão dupla no auditório da Gulbenkian tocando integralmente os concertos de Brandeburgo. Concluídos em 1721, estes 6 concertos foram criados com o intuito de agradar ao príncipe Christian Ludwig, margrave de Brandeburgo – um douto coleccionador de música.&lt;br /&gt;Provavelmente as obras concertantes mais famosas de Bach, os concertos Brandeburgueses requerem uma interpretação digna da magnitude da peça em questão, o que obriga os executantes a tocar com uma maviosidade pertinaz.&lt;br /&gt;Felizmente, foi exactamente isso que o ensemble Café Zimmermann fez desde o princípio do primeiro concerto a ser tocado (nº4), logo no dia 7. Pablo Valetti e todos os outros músicos atribuíram a esta peça a tessitura adequada à execução de peças barrocas, e diga-se também que o uso de instrumentos antigos (viola de gamba e violone) só veio enaltecer a óptima prestação do grupo. Sobre o concerto de cravo em fá menor, que sucedeu a primeira peça, parece-me adequado dizer ter sido o ponto alto da noite. A cravista Céline Frisch garantiu que o seu papel na orquestra não passava ao lado dos olhos dos espectadores, que, no fim da peça, a aplaudiram correspondentemente. &lt;br /&gt;Seguiram-se os concertos nº6 e nº2 que, à semelhança dos outros, passaram sem qualquer erro a apontar. &lt;br /&gt;Passando agora para o dia 11, é com infelicidade que afirmo que os músicos não mantiveram sempre ao nível a que nos acostumaram dia 7. O inovador concerto nº5 foi iniciado sem qualquer tipo de animosidade e os músicos tornaram a primeira parte da peça algo inexpressivo e até mesmo fraco. Contudo, após o virtuoso capriccio do cravo protagonizado novamente por Frisch, a orquestra ganhou um novo estro, o que compensou a falha inicial. A segunda peça, concerto para dois violinos em Ré menor, solada por Valetti e Plantier, esteve ao nível do que assistimos no primeiro dia, indo os justos aplausos desta vez para os violinistas. Seguiu-se aquele que é talvez o mais famoso concerto Brandeburguês – o terceiro – que foi executado com a vivacidade que o caracteriza e lhe é necessária. No mesmo concerto, o contraste entre o segundo andamento (um adágio que tem apenas dois acordes – o mais curto da literatura musical) foi cuidadosamente demarcado do resto da peça, mas ao mesmo tempo bem inserido, o que retira à peça a estranheza que por vezes os músicos erradamente lhe conferem. &lt;br /&gt;Finalmente, o ensemble Café Zimmermann tocou o concerto nº 1 – o mais elaborado dos seis. Todas as 7 partes deste concerto (o quarto andamento está dividido em 4 partes) foram alternadas com a riqueza tímbrica e tonal obrigatórias a uma boa execução, o que fez com que os Zimmermann fechassem esta série barroca em grande. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Nota final : 4.5/5&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Q&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2403770314609331932-6720542302304459653?l=french-fries-with-pepper.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=74442e22a3673c93&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/feeds/6720542302304459653/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2403770314609331932&amp;postID=6720542302304459653' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/6720542302304459653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/6720542302304459653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/2010/03/bach-na-gulbenkian.html' title='Bach na Gulbenkian'/><author><name>João Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07559125398909865447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2403770314609331932.post-1731349935993925592</id><published>2010-02-23T21:21:00.007Z</published><updated>2010-02-23T23:11:27.209Z</updated><title type='text'>Loucura</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://nndb.net/people/216/000087952/carneiro-sm.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 343px;" src="http://nndb.net/people/216/000087952/carneiro-sm.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrava-me deambulante no Metro do Saldanha e, dada a necessidade de queimar tempo para a aula de violoncelo, decidi visitar a mini-feira-do-livro montada entre a linha vermelha e amarela, nos interstícios do último e penúltimo piso subterrâneo daquela labiríntica estação. Apesar de maioritariamente desinteressante, é de relevar alguns exemplares de autores de renome a preços simbólicos de Euro e meio - Dois euros. De entre colecções antigas da Visão-abril/controljornal e outras semelhantes, destacava-se um livro da Umbreiro de que nunca tinha ouvido falar, mesmo tendo já feito uma apresentação sobre o autor. &lt;br /&gt;"&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Loucura&lt;/span&gt;", uma novela de 80 páginas, figura-se entre as mais desconhecidas, mas porém louváveis, prosas de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Mário de Sá-Carneiro.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;Datada de "Lisboa, Maio-Junho 1910" por um inidentificado narrador, Loucura é a história da vida e morte de Raul Vilar, um distinguido escultor, cujo inexplicável suicídio é analisado pelo narrador - seu melhor amigo. &lt;br /&gt;Em jovem inimigo das artes, da felicidade, sociabilidade e amor, Raul transforma-se num apaixonado e venturoso romântico, que encontra na arte uma forma de vida. &lt;br /&gt;Já "Sinistramente esquisito" em jovem (como tão eloquentemente nos narra o seu BFF), Raul experencia invulgares oscilações humorísticas, acompanhadas de juízos pedantes e idiossincráticos, retocados por uma loucura sombria e, ao mesmo tempo, romanticamente poética. Atormentado com as futilidades físicas que rodeiam o amor, Raul procura provar a Marcela, sua mulher, que lhe ama a alma e não o corpo, preparando-lhe uma surpresa que se repercutirá também nele próprio, desencadeando o desenlace trágico que serve de tema para o livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não creio ser demasiado forçada a interpretação de que Sá-Carneiro se inspirou na morte do seu amigo Tomás Cabreira Juníor (ou no mesmo enquanto vivo, pois não sei se esta novela é anterior ou posterior à sua morte) que se suicidou na escadaria do Liceu Camões, para criar esta lutuosa novela. Melhor amigo de Mário, também ele era artista, e foi com quem co-escreveu, em 1910 "Amizade", publicada em 1912.&lt;br /&gt;"Locura", um livro que se bebe de um trago, fala-nos de loucuras existenciais, amorosas e artísticas que, num paroxismo extremo, resultam no mais louco de todos os actos. Sá-Carneiro começara já a tecer a sua loucura, revelada ao mundo em 1916.&lt;br /&gt;Eximiamente bem escríto, fluidamente narrado e desprovido de descrições irrelevantes à acção, "Loucura" é aconselhável a todos os apreciadores de literatura portuguesa e não portuguesa. Pecará a obra de Sá-Carneiro por ser monotemática? Ou teria Fernando Pessoa razão quando afirmou que "Sá-Carneiro não teve biografia. Teve só génio. O que disse foi o que viveu"? Inclino-me mais para o segundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se um dia porém a sorte favorecesse os loucos, se o seu número fosse superior e o género da sua loucura idêntico, eles é que passariam a ser ajuizados: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Na terra de cegos quem tem olho é rei&lt;/span&gt;, diz o adágio: na terra de doidos, quem tem juízo, é doido, concluo eu.&lt;br /&gt;O meu amigo não pensava como toda a gente...Eu não o compreendia: chamava-lhe doido...&lt;br /&gt;Eis tudo."  - &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Mário de Sá Carneiro&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Nota Final: 5/5   &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Q&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2403770314609331932-1731349935993925592?l=french-fries-with-pepper.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/feeds/1731349935993925592/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2403770314609331932&amp;postID=1731349935993925592' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/1731349935993925592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/1731349935993925592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/2010/02/loucura.html' title='Loucura'/><author><name>João Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07559125398909865447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2403770314609331932.post-3471437750653795578</id><published>2010-02-11T23:59:00.014Z</published><updated>2010-02-23T22:53:34.385Z</updated><title type='text'>Ray</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www2.kenyon.edu/Depts/Religion/Fac/Adler/Misc/RayCharles1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 298px; height: 300px;" src="http://www2.kenyon.edu/Depts/Religion/Fac/Adler/Misc/RayCharles1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Caracterizar, dum ponto de vista aderecista, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ray Charles&lt;/span&gt;, não parece, à primeira vista, tarefa difícil. Algum critério na escolha do actor, tendo em conta factores como a idade apropriada para a altura da vida a ser retratada, origem e tez semelhantes à do artista, escolha duma indumentária apropriada à época e, acima de tudo, semelhante ao observável em fotografias, uns Wayfarer que se adeqúem ou qualquer outro tipo de óculos escuros que o músico usasse e temos uma aproximação minimamente sensível a um dos grandes reis do R&amp;B, Gospel, Soul e Blues. &lt;br /&gt;Ressuscitá-lo, contudo, já não é tão fácil.&lt;br /&gt; Diz-se que depois da morte não há vida e que só vivemos uma vez; que a reencarnação não passa de um mito e que a imortalidade é uma fantasia. Felizmente, a arte discorda.&lt;br /&gt;Através da poesia imortalizam-se os poetas. Através dos romances os romancistas. Os sons prolongam a vida dos músicos e os filmes ressuscitam actores e realizadores. &lt;br /&gt;Mais raro é, porém, encontrar artistas que fiquem imortalizados por várias artes, principalmente quando nelas nem participam. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Val Kilmer, Kyle MacLachlan&lt;/span&gt; e outros garantiram a eternidade no cinema a &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Jim Morrison&lt;/span&gt; e o resto dos &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;The Doors&lt;/span&gt; no soberbo e injustamente vaiado &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;“The Doors”&lt;/span&gt;, de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Oliver Stone; Scorcese&lt;/span&gt; garantiu o mesmo a &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Jake La Motta&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Howard Hughes&lt;/span&gt;, pugilista e magnata, respectivamente, e pelo que parece (mas ainda não vi) &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Todd Haynes&lt;/span&gt; fê-lo com &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Dylan&lt;/span&gt;. &lt;br /&gt;Ontem, inesperadamente, descobri outro caso de dupla imortalização. Em Ray, uma obra-prima dos tempos modernos, não foi só o músico a ficar registado através do cinema. Jamie Foxx, out of the blue and of the blues, mostrou-se digno de pelo menos uma GRANDE página na história do cinema.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Taylor Hackford&lt;/span&gt;, celebrizado em ’97 pelo seu filme &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;“The Devil’s Advocate”&lt;/span&gt;, provou que &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Tarantino&lt;/span&gt; não é o único realizador com bom olho para actores desconhecidos ou pouco divulgados no mundo do cinema. Formando um elenco com caras que nos são, acima de tudo, familiares de séries; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Kerry Washington – Boston Legal; Regina King – Sandra Palmer em 24; Harry Lennix, 24; ER e Capitão Locke no Matrix; Patrick Bauchau – Sidney em The Pretender&lt;/span&gt; (série muito boa e pouco falada), entre outros, mas que desempenharam óptimos papéis e mostraram-se aptos para novas oportunidades nunca antes lhes concedidas. Imagino neste momento o leitor a questionar-se sobre o anacronismo de alguns destes factos. Sim, é verdade que algumas destas séries são posteriores a&lt;span style="font-weight:bold;"&gt; RAY&lt;/span&gt; (2004), mas mantém-se o facto: Actores de séries.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro pormenor interessante foi a necessidade de apenas dois actores para desempenhar o papel de Ray (&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Jamie Foxx – adulto e C.J. Sanders – criança&lt;/span&gt;), não tendo sido necessário fazer alterações em nenhum deles a nível facial ou físico para se ajustarem à idade do músico. Este facto deve-se à escolha de Hackford de registar apenas duas fases da vida de Ray: &lt;br /&gt;-A infância, momento da vida em que &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ray Charles Robinson&lt;/span&gt;, um pobre rapaz oriundo do Oeste da Flórida (Greenville) assiste à morte do irmão pela qual se sente responsável (fardo com que vai carregar para o resto da vida) e a perda da vista, que se tornou total quando tinha sete anos.  &lt;br /&gt;- O seu período mais controverso, agitado, e, provavelmente, mais interessante. Os seus primeiros 20 anos como músico (1946-1966). Assistimos à sua ida para Seattle onde começa a gravar e conhece &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ahmet Ertegun(Curtis Armstrong)&lt;/span&gt;, o turco que fundou a &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Atlantic Records&lt;/span&gt;. &lt;br /&gt;Um facto curioso acerca de Ahmet, é a forma como aparece caracterizado psicologicamente neste filme. É, de longe, a personagem mais enternecedora. De todos, é o único que aceita imediatamente tudo o que Ray lhe propõe, que não o julga pelas suas idiossincrasias e que o ajuda nos maus momentos, em vez de o criticar. Quando Ray abandona a sua editora pela &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;ABC Paramount&lt;/span&gt;, Ahmet mostra-se solidário com o músico, que por outros é visto como pérfido, e apoia-o na sua decisão, independentemente do quão penalizante é para si. Mencionei este pequeno parêntesis porque foi a morte do mesmo homem, (1923-2006) que fez com que os &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Led Zeppelin&lt;/span&gt; se reunissem em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;2007 no O2 Arena&lt;/span&gt; para fazer um concerto (inteiro), algo que não faziam desde a morte do &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;John Bonham&lt;/span&gt;, em ‘80. He must have been quite something….&lt;br /&gt;O filme continua com uma exibição magistralmente realizada de partes importantes da vida de Ray no intervalo ‘46-‘66. Desde o seu casamento pouco saudável com Della Bea às suas infidelidades frias e insensíveis com Mary Ann Fisher e Margie Hendricks (a primeira uma cantora de Gospel que “contratou” para trabalhar consigo e a segunda uma das Raylettes) à sua contínua e exponente dependência de heroína. Assistimos também à sua evolução enquanto músico e às sucessivas metamorfoses que as suas composições foram experienciando, desde as suas fusões de Gospel com Blues e à sua passagem para o Country. &lt;br /&gt;Os últimos 40 anos da vida de Ray são guardados para o epílogo, em que somos informados da sua consistente e afamada carreira, agora, livre de drogas. O ultimato de Della Bea foi bem claro e bem aceite: “Desta vez não é a tua família ou as tuas amantes, de quem não queres saber assim tanto, que perdes. É a tua música. Larga o veneno.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de tudo isto, contudo, não resisto a voltar a falar da prestação(vencedora de oscar) de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Jamie Foxx&lt;/span&gt;. Não só é ele que toca no piano tudo aquilo que ouvimos, como a sensação com que ficamos é que aquele não é o mesmo homem que fez o Miami Vice ou o Solista, mas sim o grande monarca com “Ay” que jamais será esquecido na história da música e, possivelmente, do cinema.  &lt;br /&gt;Uma obra-prima dos tempos modernos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Nota final:&lt;/span&gt; 5/5&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Q&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2403770314609331932-3471437750653795578?l=french-fries-with-pepper.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/feeds/3471437750653795578/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2403770314609331932&amp;postID=3471437750653795578' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/3471437750653795578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/3471437750653795578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/2010/02/ray.html' title='Ray'/><author><name>João Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07559125398909865447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2403770314609331932.post-8775317316309433031</id><published>2010-02-10T01:07:00.007Z</published><updated>2010-02-10T21:15:29.418Z</updated><title type='text'>The Men Who Stare at Goats</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/thumb/4/4b/The_Men_Who_Stare_at_Goats_poster.jpg/200px-The_Men_Who_Stare_at_Goats_poster.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 296px;" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/thumb/4/4b/The_Men_Who_Stare_at_Goats_poster.jpg/200px-The_Men_Who_Stare_at_Goats_poster.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se encontrar os nomes&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt; George Clooney, Ewan McGregor, Kevin Spacey, Jeff Bridges e Robert Patrick&lt;/span&gt; todos juntos é raro, mais raro ainda é encontrá-los (à excepção do &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Grande  “Dude” Lebowsky&lt;/span&gt;) a  desempenhar os papeis que assistimos em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;“The Men who Stare at Goats”&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bob Wilton (Ewan McGregor), repórter, para além de ter problemas de identidade (não sabe o que são Jedis, o ex-Obi-Wan), sente-se deprimido tanto pelo fim do seu casamento como pela falta de sal que tem a sua vida. Desta forma, para remediar todos estes problemas, decide ir para o Iraque procurar a emoção e entusiasmo que a sua vida, insonsa, não tem.  &lt;br /&gt;Porém, ainda no Kuwait, aquando do inicio da sua demanda jornalística, dá de caras com Lyn Cassidy (Clooney), um ex-militar de quem Bob já tinha ouvido falar como sendo um “Jedi-Warrior”, um agente dum grupo especial do exército, responsável por fenómenos paranormais, psíquicos e telepáticos. &lt;br /&gt;Clooney, a quem finalmente foi atribuído um papel invulgar, até nem faz má figura como um homem que diz conseguir ficar invisível, ler mentes e atravessar paredes. &lt;br /&gt;Juntos vão para o Iraque e o resto do filme centra-se, acima de tudo, na história do “esquadrão psíquico” do exército. Narrado por Cassidy, ficamos a saber como Bill Django( hilariante, Jeff Bridges) o formou, como Cassidy foi ascendendo enquanto "Jedi" e como Larry Hooper (interpretado pelo Underrated Kevin Spacey) criou uma rivalidade pouco saudável com Lyn. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do enredo rabiscado no joelho e do guião feito às três pancadas, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Grant Heslov&lt;/span&gt; dá-nos algo com que rir, mesmo que seja risível de tão ridículo. Fortemente inspirado no trabalho dos &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;irmãos Coen&lt;/span&gt; (Bill Django e o Jeffrey Lebowsky têm um pouco mais em comum do que o actor que os encarna),&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;The Men Who Stare at Goats&lt;/span&gt; é, acima de tudo, um apelo à paz feito através do cómico, do satírico e do absurdo. Um filme inimigo da seriedade e que promove a filosofia do “Free your mind; broaden your horizons”. Não interessa se faz sentido ou se é real, desde que nos faça rir e sentir bem.&lt;br /&gt;Num bom sentido: muito riso e pouco siso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Nota Final:&lt;/span&gt; 3/5&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Q&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2403770314609331932-8775317316309433031?l=french-fries-with-pepper.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/feeds/8775317316309433031/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2403770314609331932&amp;postID=8775317316309433031' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/8775317316309433031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/8775317316309433031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/2010/02/men-who-stare-at-goats.html' title='The Men Who Stare at Goats'/><author><name>João Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07559125398909865447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2403770314609331932.post-4621754021008025672</id><published>2010-02-01T22:05:00.006Z</published><updated>2010-02-01T22:26:12.668Z</updated><title type='text'>Up in the Air</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.slashfilm.com/wp/wp-content/images/upintheairhardcover-440x663.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 403px;" src="http://www.slashfilm.com/wp/wp-content/images/upintheairhardcover-440x663.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Capa do livro de Walter Kirn que deu origem ao filme com título homónimo&lt;br /&gt;        &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Danny Ocean, depois do seu êxito em &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ocean’s 13&lt;/span&gt; volta à tela para retomar o papel que começara em 2001…. Não, calma….&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Seguindo o legado dos &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;irmãos Coen, Jason Reitman&lt;/span&gt; dá nova vida a Harry Pfarer …. Também não era ele? Ia jurar que….&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Michael Clayton&lt;/span&gt; volta à acção, desta vez dirigido pelo filho do canadiano &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ivan Reitman&lt;/span&gt;…. Alguma coisa não bate certo….&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No último e mais prolongado anúncio da Nespresso, desta vez sob mão de um dos mais destacados realizadores da actualidade… Esperem…! Acho que já percebi o que se passa…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A única crítica que não se pode fazer a &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;George Clooney&lt;/span&gt; é a da inconstância. O problema é que também não se pode fazer qualquer elogio.&lt;br /&gt;   Ao contrário da suposta e típica equação Ocean + Pfarer + Clayton +…. = Clooney, o mais famoso “galã” de Hollywood rege-se pela deprimente Ocean = Clooney = Pfarer = Clooney = Clayton = Clooney =…. Ryan Bingham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O primeiro pecado a ser cometido pelo premiado realizador &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Jason Reitman (Juno; Thank You for Smoking)&lt;/span&gt; foi o de eleger um actor que não sabe fazer outro papel senão o dele próprio para protagonizar a sua mais recente realização. Felizmente, tal como Danny Ocean, Harry Pfarer e todos os outros indistinguíveis Alter-egos de Clooney, Ryan Bingham (protagonista de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Up in the Air&lt;/span&gt;) é charmoso, gosta de mulheres, de contar piadas, sentir-se importante e, como qualquer homem de negócios …. De voar! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Veterano e especialista no seu mester, Ryan Bingham (George Clooney) ganha a vida a despedir pessoas e a encaminhá-las para vias alternativas, delicadamente. Despegado de qualquer tipo de laços e imbuído nos seus objectivos idiossincráticos, a sua filosofia e prega é a de que “Quando trabalhamos levamos sempre uma “mochila” connosco. Quanto mais leve for essa mochila melhor nos sucedemos e mais facilmente nos mobilizamos”. &lt;br /&gt; Cem por cento dedicado ao trabalho, os seus 322 dias de viagem por ano são o seu maior prazer, em oposição à tormenta dos 43 dias que passa em “casa”. &lt;br /&gt; Porém, quando a jovem e promissora Natalie Keenman (&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Anna Kendrick&lt;/span&gt;) apresenta o seu projecto de “despedimentos via Web”, Clooney…perdão, Bingham, começa a recear uma eminente alteração do seu tão hedónico modo de vida.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt; Worried about the shape of things to come&lt;/span&gt;, Bingham acusa a novata de inexperiência diante do patrão, ao que o seu chefe responde com a proposta de Ryan levá-la consigo nas suas próximas viagens.&lt;br /&gt; Confrontado com as críticas de Natalie à sua forma de vida, o seu crescente envolvimento com a sua alma gémea Alex (&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Vera Farmiga – melhor prestação de todo o filme&lt;/span&gt;) e a felicidade da sua irmã que se está prestes a casar, Ryan começa a questionar o seu próprio modo de vida e a reponderar a sua filosofia… O resto vejam no cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Depois do seu último (e fantástico) filme Juno, Jason Reitman presenteia-nos com um não tão bom, mas ainda assim surpreendente filme. Com um enredo um pouco fora dos cânones da indústria cinematográfica contemporânea, Reitman apresenta-nos uma não-tão-romântica-comédia-romântica com uma mensagem que nos põe, no mínimo, a reflectir sobre as prioridades da nossa vida. &lt;br /&gt; Carregado com o humor a que Reitman nos começa a habituar, com uma banda sonora toda &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Bob Dylan – Simon &amp; Garfunkel&lt;/span&gt; dos tempos modernos, o realizador conseguiu um filme divertido, pleno de conteúdo e acima de tudo (e para mim, o mais importante) consistente com o que nos apresentara em 2007 com a sua até hoje obra-prima “&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Juno&lt;/span&gt;”.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Auguro um bom futuro a este ainda tão novo e já tão premiado realizador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Nota Final&lt;/span&gt; : 3.5/5&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Q&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2403770314609331932-4621754021008025672?l=french-fries-with-pepper.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/feeds/4621754021008025672/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2403770314609331932&amp;postID=4621754021008025672' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/4621754021008025672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/4621754021008025672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/2010/02/up-in-air.html' title='Up in the Air'/><author><name>João Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07559125398909865447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2403770314609331932.post-6911303992522456570</id><published>2010-01-30T22:33:00.018Z</published><updated>2010-02-01T01:27:23.746Z</updated><title type='text'>Number 9. Number 9. Number 9. Number 9...</title><content type='html'>Apesar das muitas e diferentes interpretações feitas à musica &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Revolution 9&lt;/span&gt; dos &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Beatles&lt;/span&gt;(desde uma brincadeira musical, passando por tentativas de inovação e chegando até teorias da conspiração sobre eventuais golpes publicitários), aquela que mais me seduz, mas que provavelmente está errada, é a minha própria. &lt;br /&gt;O tom sombrio e inquietante que caracteriza esta música em muito se associa à lugubridade da conotação musical do número 9. &lt;br /&gt;A chamada "Maldição dos 9" afectou uma considerável parte dos grandes compositores de sinfonias do período romântico. A partir de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Mozart&lt;/span&gt; (que compôs 41 sinfonias) e &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Haydn&lt;/span&gt; (108 Sinfonias!) reinou uma "maldição" que impedia todos os [grandes] compositores de viver após terem escrito a sua nona sinfonia. De entre os exemplos mais proeminentes destacam-se &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Beethoven, Vaughan Williams, Schubert, Dvořák, Bruckner&lt;/span&gt; e, finalmente, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Mahler&lt;/span&gt;. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Dmitri Shostakovich&lt;/span&gt;, autor de 15 sinfonias, foi o primeiro grande compositor a quebrar esta funesta tradição.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Gustav Mahler&lt;/span&gt;, contudo, impelido pela sua supersticiosa mulher, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Alma&lt;/span&gt;, tentou "dar a volta" a este problema e fugir à Maldição. Tinha já composto 9 sinfonias quando decidiu apelidar aquela que sucedia a oitava de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;"Das lied von der Erde" (Canção da Terra) ou Eine Symphonie für eine Tenor- und eine Alt- (oder Bariton-) Stimme und Orchester  (nach Hans Bethges "Die chinesische Flöte")  (Uma sinfonia para alto e tenor (ou barítono) e orquestra (a partir da "Flauta Chinesa" de Hans Bethges))&lt;/span&gt; em vez de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;"Sinfonia no.9"&lt;/span&gt;. Compôs, então, a sua 10ª sinfonia, (à qual chamou sinfonia no.9) numa tentativa de fugir ao seu destino, enganando a morte. Porém, morreu enquanto compunha a sua Sinfonia nº 10, deixando-a incompleta. À morte ninguém ganha.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.vinylrevinyl.com/wp-content/uploads/2008/08/gustav-mahler.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 450px;" src="http://www.vinylrevinyl.com/wp-content/uploads/2008/08/gustav-mahler.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Gustav Mahler (1860-1911)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É então no encalço desta introdução que vos falo do concerto que me trouxe aqui hoje. &lt;br /&gt;Realizado na Gulbenkian no dia 29, a orquestra homónima, conduzida pelo maestro francês &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Bertrand de Billy&lt;/span&gt; executou a &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sinfonia nº9, em Ré Maior, de Gustav Mahler&lt;/span&gt;. &lt;br /&gt;Com um duradouro silêncio, doutamente respeitado pela plateia, Bertrand de Billy deu inicio aquela por muitos considerada a mais bela sinfonia de Mahler. Logo no primeiro andamento, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Andante commodo&lt;/span&gt;, a tranquilidade harmoniosa com que a orquestra tocou transformou a atmosfera do auditório na do mundo característico das sinfonias Mahlerianas, retirando ao espectador tudo aquilo que o mantém preso à terra, abstraindo-o de todos os elementos circundantes, para além da música. Todas as minhas emoções oscilavam ao ritmo das trompas e dos privilegiados contrabaixos, que, tal como a música, escalaram vertiginosamente por uma parede de sons até um explosivo clímax.&lt;br /&gt;No segundo andamento, este um pouco mais valsado e quieto, a atmosfera manteve-se, bem como o comportamento da orquestra, sempre fiel aquilo que era pretendido.&lt;br /&gt;O terceiro andamento repôs todo o êxtase vivenciado no primeiro, caracterizando-se pela sua imponência expressionista e ao mesmo tempo grotesca.&lt;br /&gt;A entrega total deu-se, porém, no último andamento - &lt;span style="font-style:italic;"&gt;adagio&lt;/span&gt; - em que a peça atingiu o seu cúmulo apoteótico. As suas longas e lentas frases remeteram-me para um mundo transcendental, onde o enlevo foi imperante. &lt;br /&gt;No fim desta sinfonia o maestro repetiu a façanha do início, submetendo-nos a um silêncio tão inquietante e assombroso como o resto da peça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para avaliar interpretações de Mahler imparcialmente é-me necessária uma capacidade abstractiva da qual não disponho, acabando sempre por me render à inclinação afectiva que tenho pelas peças deste compositor. Desta forma, e por não encontrar nada que me oriente diferentemente, sigo a voz das minhas sensações, que me diz para atribuir a este concerto a nota máxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Nota Final:&lt;/span&gt; 5/5   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Q&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2403770314609331932-6911303992522456570?l=french-fries-with-pepper.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/feeds/6911303992522456570/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2403770314609331932&amp;postID=6911303992522456570' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/6911303992522456570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/6911303992522456570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/2010/01/number-9-number-9-number-9-number-9.html' title='Number 9. Number 9. Number 9. Number 9...'/><author><name>João Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07559125398909865447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2403770314609331932.post-3695083412472551249</id><published>2010-01-29T18:13:00.004Z</published><updated>2010-01-29T18:19:56.316Z</updated><title type='text'>A Grande (Des)Ilusão</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://medien.filmreporter.de/images/5407.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 416px;" src="http://medien.filmreporter.de/images/5407.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Faustrecht der Freiheit&lt;/span&gt; - &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Fassbinder&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Sempre que assisto a uma conversa sobre cinema alemão ou vejo qualquer tipo de referência à industria cinematográfica deste país [Alemanha] os nomes que saltam frequentemente à vista são&lt;span style="font-weight:bold;"&gt; Rainer Werner Fassbinder&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Fritz Lang&lt;/span&gt; (apesar do último ter nascido na Áustria).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, como amante cinematográfico e absoluto leigo em cinema alemão, a ideia de encetar a visualização de filmes deste país com este renomeado realizador deixou-me ansioso e com expectativas bastante altas em relação a &lt;/span&gt;&lt;span lang="de"&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Faustrecht der Freiheit&lt;/span&gt; &lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;(esqueci-me do título do filme em português e não encontrei na net, só  "Fox and his friends"). Infelizmente, "É das grandes esperanças que nascem as grandes desilusões " - Vladimir Putin (acerca do Obama ahah)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A premissa do filme não era má; era aliás, bastante boa: Um jovem e pobre trabalhador de circo, totalmente cândido e ignorante, ganha a lotaria e de um dia para o outro a sua vida muda. Homossexual, apaixona-se por um homem duma classe social diferente, um típico aristocrata que, sem Fox (o protagonista) perceber, planeia ludibriá-lo ao máximo, extorquindo-lhe tudo o que ganhara.&lt;br /&gt;O problema aqui não foi a idealização, mas sim, a realização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta do décimo minuto do filme, quando a situação que está prestes a desenrolar-se é-nos exposta, a ideia do logro e a crueldade que dele advém criou em mim uma inquietação (extremamente agradável) que esperava manter-se durante o resto do filme, um horror à conduta de Eugene (o aristocrata) e do resto dos seus amigos, uma crescente preocupação com o protaginista e um sentimento de empatia para com ele que me fizesse repudiar os seus lograntes. Era essa (creio) a intenção de Fassbinder ao realizar este filme e foi exactamente aí que o realizador falhou. Nem empatia, nem preocupação. Nada. Amoção e total indiferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que contribuiu, então, para este erro crasso, a falta de expressividade do filme?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro, e talvez o mais importante, as personagens em si. O excesso de ingenuidade que caracteriza Fox tornava este filme tão interessante como um jogo de ténis entre a minhã (inexistente) irmã e o Roger Federer. A facilidade com que este "emprestava" centenas de milhares de Marcos a recém-conhecidos ou a forma irracional e imediata como reagia a críticas por parte do seu suposto amante dão a todas as situações deste filme uma inverossímilhança e implausibilidade que mete dó, ou nem isso. Dá a entender que, por falta de imaginação ou empenho, o realizador procurou maneiras fáceis e pouco elaboradas de projectar este logro. (É o que dá fazer tantos filmes em tão pouco tempo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo, também relacionado com as personagens, são os actores, ou a direcção destes. Fassbinder (como actor - protagonista) manteve a mesma expressão durante todo o filme. Quer em momentos em que devia rir quer quando devia chorar. Uma decepcionante monocordia e uma imutável atitude. Quando ao resto do elenco, mais do mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, a inexpressividade deste filme não se fica só pelas personagens. Até a clareza da mensagem era dúbia. O personagem principal era tão estúpido, desinteressante e surreal que quase dá a ideia de que os alvos da "crítica" não eram os aristocratas que o burlaram mas sim os pobres - tão ignorantes e imcompetentes que não deviam ter o direito de ter tanto dinheiro. Sinceramente dúvido que fosse isso que Fassbinder queria transmitir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Nota Final : 2/5&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Q&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2403770314609331932-3695083412472551249?l=french-fries-with-pepper.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/feeds/3695083412472551249/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2403770314609331932&amp;postID=3695083412472551249' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/3695083412472551249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/3695083412472551249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/2010/01/grande-desilusao.html' title='A Grande (Des)Ilusão'/><author><name>João Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07559125398909865447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2403770314609331932.post-7811694321312580978</id><published>2010-01-29T18:03:00.005Z</published><updated>2010-01-29T18:19:36.323Z</updated><title type='text'>O Dissabor da Cereja</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://cache05.stormap.sapo.pt/stockimgs02/cd/4d/d2/234x341_0_cd4dd2863e859b3894f7dfad197ce39a_tmp_c35535d2Tam%20e%20guilass.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 234px; height: 341px;" src="http://cache05.stormap.sapo.pt/stockimgs02/cd/4d/d2/234x341_0_cd4dd2863e859b3894f7dfad197ce39a_tmp_c35535d2Tam%20e%20guilass.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O Sabor da Cereja - Abbas Kiarostami &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Dado o facto de ter sido vencedor da palma d'ouro de 97, ser uma amostra dum suposto brilhantismo Iraniano - algo totalmente diferente para nós - e aclamado positivamente por alguma crítica, o Sabor da Cereja tinha todos os ingredientes atractivos para ser um óptimo filme. Contudo, "The bigger the height the harder the fall". &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A simplicidade do enredo poderia reduzir este filme a uma curta metragem: Um homem iraniano, hesitante em suicidar-se, procura cumplices para ajudá-lo a tomar essa decisão e auxiliá-lo no acto. O primeiro, um jovem recruta do exército, amedrontado com a obscuridade da proposta, foge a sete pés. O segundo, um seminarista aplicado, recusa a proposta dada a sua posição religiosa e as suas convicções e tenta dissuadir o protagonista de a levar a cabo. O terceiro e último, um biólogo com necessidades económicas, apesar de o fazer com alguma reluctância, aceita a sugestão proposta pelo "Sr Badhi" - o protagonista - e promete cumpri-la. Não obstante, é este [o biólogo] o personagem que mais tenta influenciar a decisão de Badhi, evocando momentos do seu passado em que se encontrara numa situação semelhante à do Iraniano. O desenlace da situação de Badhi é uma incógnita e o filme acaba com filmagens "cruas" (Rare footage) do próprio Kiarostami, os actores e toda a equipa a realizar o filme que acabáramos de ver. Ah, um "pormenor" : Mais de 80% do filme passa-se dentro de um Range Rover a ser conduzido pelo protagonista, as deslocações são todas em tempo real e o deserto é paisagem dominante em toda a hora e meia. "Pormenores"... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Dum ponto de vista puramente cinematográfico, não posso dizer que tenha gostado do filme. Apesar do tão elogiado “virtuosismo técnico” de Kiarostami e da excelente prestação do actor Homayon Ershadi (Sr Badhi) o Sabor da Cereja ficou aquém das minhas expectativas. A monocordia dos diálogos, a monotonia paisagística, a excessiva duração do filme e a forma superficial como os temas foram abordados são alguns dos pontos negativos que encontro neste filme. Talvez desse uma boa curta-metragem, mas nunca uma longa de 95 minutos. E na sequência desta crítica, rejeito alguns comentários que dizem que só acha este filme secante quem apenas tem olhos para grandes produções de  Hollywood . Já vi filmes tão ou mais lentos quanto este, com muito menos diálogos e acção mais reduzida e adorei. A adaptação cinematográfica do Stanley Kubrick da obra prima de ficção científica de Arthur C. Clark “&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;2001: A Space Odyssey&lt;/span&gt;” ou o pitoresco “&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Barry Lyndon&lt;/span&gt;”, do mesmo realizador são exemplos de filmes com durações na orla das 3 horas, repletas de cenas lentas e paradas, mas que ainda assim entram na minha lista de filmes preferidos. Até nos filmes de João César Monteiro, incluindo “&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A Comédia de Deus&lt;/span&gt;”, existem imensas cenas que nunca poderiam figurar numa produção hollywoodesca dada a sua falta de movimento ou de entretenimento gratuito e fácil, mas não foi por isso que deixei de adorar o filme. A diferença entre esses filmes e o Sabor da Cereja é que no último não há qualquer conteúdo estético digno de apreço. Em oposição a explosões de cores nunca antes vistas ou a estações espaciais a “dançar” ao som de valsas do Strauss, a motivos bucólicos duma beleza rara e a momentos pessoais e idiossincráticos duma serenidade impressionante (uma cena linda da Comédia de Deus em que uma mulher se deita na mesa do João de Deus e começa a “nadar”), neste filme apenas vemos areia, areia e mais areia. O problema pode ser a minha falta de sensibilidade estética, mas ainda assim…. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Outra exprobração que considero essencial fazer a este filme é à inadequação da cena final, em que nos são mostradas filmagens da realização do próprio filme. Considero que a adição deste elemento meta- ficcional é totalmente despropositada e não tem nada que ver com o assunto em questão. Em “&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Persona&lt;/span&gt;” (em português “A Máscara”), de Ingmar Bergman, assistimos a constantes lembranças de que aquilo que estamos a ver é apenas um filme e nada mais, e no final há uma aparição de Bergman acompanhado pelo director de fotografia Sven Nykvist, também eles a projectar o filme e a filmá-lo, como Kiarostami neste. A grande diferença é que no primeiro (filme sobre a perda de identidade e da sanidade mental associada ao uso de “máscaras” e fingimentos) o realizador quer-nos mostrar que as personagens que vemos no filme são as actrizes Bibi Andersson e Liv Ulmann e que elas estão a usar uma “máscara” ao interpretar aquelas personagens, apesar de o fazerem duma forma tão realista e intensa, libertando-se quase de si próprias para desempenharem aqueles papéis. No último o sentido disso é …..? Mostrar que aquilo era só um filme? Enganar o espectador de alguma forma? Não consigo mesmo perceber qual foi o sentido daquela cena.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Dum ponto de vista filosófico também não achei o filme grande espingarda. Acho que das questões levantadas (Haverá legitimidade moral no suicídio? Deverá haver qualquer tipo de legislação sobre este? Fará sentido, em alguma situação, escolher a morte em detrimento da vida (excluindo coisas como a eutanásia e afins)? Devemos, em alguma situação, ajudar alguém a morrer? Ou dum ponto de vista mais pessoal - “como deveríamos agir se nos deparássemos com aquela situação?) apenas a primeira foi abordada com alguma profundidade no filme, mas acho-a também a menos interessante dum ponto de vista filosófico. A minha posição quanto a essa questão é extremamente redutora pois acho que o único entrave que vejo ao suicídio é de cariz religioso. Como defendo uma total laicização dos estados….. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Quanto ás outras questões (as interessantes), o filme limitou-se a raspar ao de leve pela sua superfície. Achei que os diálogos que as abordavam eram bastante prosaicos e até mesmo “clichés”. Um guião adequado a uma produção hollywoodesca. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, apesar de não ter gostado do filme, não o detestei e não o achei péssimo. Simplesmente não percebo o Juri de Cannes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Nota final : 2/5&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Q&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2403770314609331932-7811694321312580978?l=french-fries-with-pepper.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/feeds/7811694321312580978/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2403770314609331932&amp;postID=7811694321312580978' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/7811694321312580978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/7811694321312580978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/2010/01/o-dissabor-da-cereja.html' title='O Dissabor da Cereja'/><author><name>João Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07559125398909865447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2403770314609331932.post-3519422917398751895</id><published>2010-01-29T16:11:00.013Z</published><updated>2010-01-29T22:56:40.219Z</updated><title type='text'>You're a mean one....Mr Haydn</title><content type='html'>O conceito de "música popular" é geralmente associado ao seu género homónimo, a Pop Music, o que nos faz por vezes esquecer o verdadeiro e original significado da palavra "popular". "Popular", na sua acepção mais comum significa que "é do agrado do povo". Dum ponto de vista musical pouco varia, excepto num pequeno parâmetro: "Música enquanto forma de entretenimento". Apesar de discutibilidade destas definições, o termo "popular" é quase unanimemente atribuído à &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Serenata nº 6 em Ré Maior, K.239&lt;/span&gt; e à &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Serenata para cordas em Sol Maior - Ein Kleine Nachtmusik, K.525 de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)&lt;/span&gt;. Aliás, mesmo dum ponto de vista histórico, as designações taxonómicas de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;"Serenata", Notturno" e "Divertimento"&lt;/span&gt; estão e sempre foram associadas a um carácter social e lúdico, tocadas geralmente para fins de entretenimento. &lt;br /&gt;Agregadas a duas peças dum compositor que tinha em não muito alta estima, &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Franz Joseph Haydn (1732-1809)&lt;/span&gt;, as expectativas que tinha para este concerto (21 de Janeiro - Gulbenkian) eram baixas, esperando apenas algo "divertido". &lt;br /&gt;Estava, claramente, inconsciente em relação a dois factores de magistral importância:&lt;br /&gt;- As peças do Haydn que iam ser tocadas, um concerto para violoncelo e um para oboé, ambos totalmente desconhecidos para mim.&lt;br /&gt;- O violoncelista &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Lynn Harrell&lt;/span&gt; - um nome a não esquecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O concerto teve inicio com a Serenata Notturna (nº6), para duas orquestras de Mozart. Destaque para a performance do quarteto de cordas principal, especialmente para o violinista Pedro Pacheco. Uma interpretação tão festiva e harmoniosa como a peça em si. Acima da expectativas. &lt;br /&gt;Seguidamente - o ponto alto da noite: &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Concerto para Violoncelo e Orquestra em Dó Maior, Hob.VIIb:1 - Haydn.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente, não sei o que mais me espantou. Se foi a colossal atractividade duma peça dum compositor de que não gostava muito (atribuída a Haydn apenas em 1961!) ou o virtuosismo heterotético dum violoncelista desconhecido para mim. A leveza e simplicidade com que Lynn Harrell deslizava os seus dedos pelo braço do violoncelo, atingindo tons característicos duma violeta ou até mesmo dum violino impressionaram-me e agarraram todas as cordas da minha atenção. Foi então no primeiro solo que se deu algo de inédito. Lynn Harrell prolongou o seu estupendo solo para a entrada do primeiro andamento da 2ª Sinfonia de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Gustav Mahler (1860-1911)&lt;/span&gt;, rindo-se enquanto o fazia. Nem todos têm esses direitos.... Simplesmente delicioso.&lt;br /&gt;Como seria de esperar a ovação fez-lhe jus à performance, sendo eu um dos maiores entusiastas do público. Os meus aplausos foram de certeza os mais audíveis.&lt;br /&gt;Também ele entusiasmado e profundamente agradecido, aproveitou, num momento extra-programático, para tocar o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Bourrée da terceira Suite para Violoncelo do Bach&lt;/span&gt;. Outra delícia.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.music.indiana.edu/som/ejmccf/images/honorees/harrell.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 180px; height: 250px;" src="http://www.music.indiana.edu/som/ejmccf/images/honorees/harrell.gif" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt; Lynn Harrell (foto)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última surpresa veio naquela que pode ser considerada a segunda parte do concerto. Desta vez não foi o intérprete &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pedro Ribeiro (oboísta)&lt;/span&gt; quem mais se destacou mas a peça em si. O &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;concerto para Oboé e Orquestra em Dó maior, Hob.VIIg:C1 de Haydn&lt;/span&gt; mostrou-se como a peça mais bonita que ouvi deste compositor. A ligeireza desta peça, composta para um dos mais leves instrumentos de sopro - o oboé - equiparam a beleza deste concerto ao nível de alguns quintetos do Mozart. Não é por acaso que a autoria desta peça é veementemente discutida entre mais prestigiados musicólogos, dada as suas tendências estílisticas Pós-Mozartianas. You're a mean one Mr Haydn.....&lt;br /&gt;Para fechar este concerto, a &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;orquestra Gulbenkian&lt;/span&gt;, dirigida por &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Lawrence Foster&lt;/span&gt; (Irrepreensível, como de costume - o Maestro títular da orquestra) tocou a provavelmente mais conhecida serenata de Mozart. Talvez tenha sido dos dois choques que a antecederam, ou do cansaço já evidente, mas soou-me a pouco. Momento baixo da noite, indubitavelmente.&lt;br /&gt;Terminou assim esta agradável surpresa. Sem dúvida, muito acima das expectativas.&lt;br /&gt;Mr Haydn, it seems we have to know each other a little better....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Nota final :&lt;/span&gt; 4.5/5&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Q&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2403770314609331932-3519422917398751895?l=french-fries-with-pepper.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/feeds/3519422917398751895/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2403770314609331932&amp;postID=3519422917398751895' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/3519422917398751895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/3519422917398751895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/2010/01/youre-mean-onemr-haydn.html' title='You&apos;re a mean one....Mr Haydn'/><author><name>João Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07559125398909865447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2403770314609331932.post-7833054611592128330</id><published>2010-01-28T22:04:00.009Z</published><updated>2010-01-28T23:32:38.938Z</updated><title type='text'>Winterreise - Schubert/Zender</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://cultura.sapo.pt/images/eventos2/PeterRundel_batuta222_e2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 229px;" src="http://cultura.sapo.pt/images/eventos2/PeterRundel_batuta222_e2.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt; Peter Rundel(foto)&lt;br /&gt;                               &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando em 1827 &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Franz Schubert&lt;/span&gt; (1797-1828) compôs, para o piano e para voz, um ciclo de 24 lieder baseados nos poemas líricos de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Wilhelm Müller&lt;/span&gt;, não lhe passou certamente pela cabeça a transformação que &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Hans Zender&lt;/span&gt; faria, 166 anos depois, ao seu querido &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Winterreise&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Transposta do piano para uma pequena orquestra e do frequente barítono para o original tenor, a versão de Zender encaixa-se perfeitamente no estilo vanguardista característico dos finais do século XX. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então a 17 de Janeiro, sob a direcção de &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Peter Rundel&lt;/span&gt;, que o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Remix Ensemble&lt;/span&gt; e o tenor &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Christoph Prégardien&lt;/span&gt; apresentaram, no grande auditório da Gulbenkian, esta inovadora versão do Winterreise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estranheza do evento começou ainda antes do soar das baladas, aquando da entrada na sala. Os habitualmente desocupados corredores da plateia estavam preenchidos, em linha, por pratos de choque e partituras para sopro. Não tinha ainda a orquestra entrado mas estava já a grande maioria dos instrumentos plantados no palco. Desde aparentemente inúteis tábuas de madeira a "cortinas de ferro", todo o estrado estava repleto de extravagâncias nunca antes associadas a música. Let the show begin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A explosão inicial da introdutória "Gute Nacht", assemelhava-se à original em pouco mais que na letra. Com uma total distorção do tema e adição de elementos cénicos inéditos, esta versão zenderiana deu um toque totalmente novo à peça, tornado-a em algo muito mais interactivo e teátrico. Instrumentos totalmente desconhecidos para mim simulavam as condições meteorológicas de que o viandante, no decorrer da sua "Viagem de Inverno", era alvo. A amplificação electrónica da voz em pequenos trechos mais irados e silêncios inesperados e abruptos davam a esta interpretação uma vivacidade e animosidade não características da Lieder Schubertiana mas ainda assim agradável e facilmente receptível. A dispersão dos instrumentos de sopro por todo o auditório conferiam ao espectador uma sensação de holofonia jamais vista e criavam nesta peça uma dinâmica entusiasmante. &lt;br /&gt;Quanto às prestações, tanto o maestro, como o tenor e a orquestra estiveram irrepreensíveis. Peter Rundel mostrou-se ao nível duma peça de tamanha modernidade e Christoph Prégardien fez justiça ao destaque que tem recebido. Contudo, dada a excentricidade e vanguardismo do concerto em questão, o mais inesperado foi a recepção do público. Uma massiva 'standing ovation' acompanhada de repetidos e sonoros "Bravos". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acima de tudo: Divertido. Nada, porém, substitui a minha adorada gravação da EMI do &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Dietrich Fischer-Dieskau&lt;/span&gt; (Barítono) e &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Gerald Moore&lt;/span&gt; (Piano). Há coisas que nunca serão ultrapassadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Nota final&lt;/span&gt;: 4/5&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Q&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2403770314609331932-7833054611592128330?l=french-fries-with-pepper.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/feeds/7833054611592128330/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2403770314609331932&amp;postID=7833054611592128330' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/7833054611592128330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/7833054611592128330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/2010/01/winterreise-schubertzender.html' title='Winterreise - Schubert/Zender'/><author><name>João Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07559125398909865447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2403770314609331932.post-3642544042157695170</id><published>2010-01-28T19:10:00.005Z</published><updated>2010-01-29T22:34:42.380Z</updated><title type='text'>CODA</title><content type='html'>Este blog foi criado com o propósito de registar as minhas opiniões no que concerne a concertos, cds, filmes, livros e tudo aquilo que considerar bons alvos de crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O endereço deste blog, inspirado pela música "French Fries With Pepper", dos Morphine, foi escolhido por diversas razões:&lt;br /&gt;- Era a música que estava a ouvir; Adequa-se ao contexto (criticas musicais) e a combinação de batatas fritas com pimenta assemelha-se à combinação temática daquilo que será aqui registado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O título vigente, CODA, também não foi escolhido por acaso.  CODA -  "Floreio final de um trecho musical" para além de se relacionar com os tópicos aqui tratados, é o nome do último albúm dos Led Zeppelin, pelos quais nutro uma estima e a afecto superior a qualquer outro grupo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É só depois das codas que podemos ter uma opinião minimamente formulada sobre algo, e só a partir daí é que podem nascer as críticas e opiniões sobre aquilo que acabámos de ouvir, ver ou ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveito a CODA desta descrição para caracterizar este blog como algo totalmente despido de pretensões e de high achievements. Foi criado apenas pelo puro prazer da crítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yours Truly,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Q&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2403770314609331932-3642544042157695170?l=french-fries-with-pepper.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/feeds/3642544042157695170/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2403770314609331932&amp;postID=3642544042157695170' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/3642544042157695170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2403770314609331932/posts/default/3642544042157695170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://french-fries-with-pepper.blogspot.com/2010/01/coda.html' title='CODA'/><author><name>João Queirós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07559125398909865447</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
