segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Up in the Air

Capa do livro de Walter Kirn que deu origem ao filme com título homónimo



Danny Ocean, depois do seu êxito em Ocean’s 13 volta à tela para retomar o papel que começara em 2001…. Não, calma….

Seguindo o legado dos irmãos Coen, Jason Reitman dá nova vida a Harry Pfarer …. Também não era ele? Ia jurar que….

Michael Clayton volta à acção, desta vez dirigido pelo filho do canadiano Ivan Reitman…. Alguma coisa não bate certo….

No último e mais prolongado anúncio da Nespresso, desta vez sob mão de um dos mais destacados realizadores da actualidade… Esperem…! Acho que já percebi o que se passa…

A única crítica que não se pode fazer a George Clooney é a da inconstância. O problema é que também não se pode fazer qualquer elogio.
Ao contrário da suposta e típica equação Ocean + Pfarer + Clayton +…. = Clooney, o mais famoso “galã” de Hollywood rege-se pela deprimente Ocean = Clooney = Pfarer = Clooney = Clayton = Clooney =…. Ryan Bingham.

O primeiro pecado a ser cometido pelo premiado realizador Jason Reitman (Juno; Thank You for Smoking) foi o de eleger um actor que não sabe fazer outro papel senão o dele próprio para protagonizar a sua mais recente realização. Felizmente, tal como Danny Ocean, Harry Pfarer e todos os outros indistinguíveis Alter-egos de Clooney, Ryan Bingham (protagonista de Up in the Air) é charmoso, gosta de mulheres, de contar piadas, sentir-se importante e, como qualquer homem de negócios …. De voar!

Veterano e especialista no seu mester, Ryan Bingham (George Clooney) ganha a vida a despedir pessoas e a encaminhá-las para vias alternativas, delicadamente. Despegado de qualquer tipo de laços e imbuído nos seus objectivos idiossincráticos, a sua filosofia e prega é a de que “Quando trabalhamos levamos sempre uma “mochila” connosco. Quanto mais leve for essa mochila melhor nos sucedemos e mais facilmente nos mobilizamos”.
Cem por cento dedicado ao trabalho, os seus 322 dias de viagem por ano são o seu maior prazer, em oposição à tormenta dos 43 dias que passa em “casa”.
Porém, quando a jovem e promissora Natalie Keenman (Anna Kendrick) apresenta o seu projecto de “despedimentos via Web”, Clooney…perdão, Bingham, começa a recear uma eminente alteração do seu tão hedónico modo de vida.
Worried about the shape of things to come, Bingham acusa a novata de inexperiência diante do patrão, ao que o seu chefe responde com a proposta de Ryan levá-la consigo nas suas próximas viagens.
Confrontado com as críticas de Natalie à sua forma de vida, o seu crescente envolvimento com a sua alma gémea Alex (Vera Farmiga – melhor prestação de todo o filme) e a felicidade da sua irmã que se está prestes a casar, Ryan começa a questionar o seu próprio modo de vida e a reponderar a sua filosofia… O resto vejam no cinema.

Depois do seu último (e fantástico) filme Juno, Jason Reitman presenteia-nos com um não tão bom, mas ainda assim surpreendente filme. Com um enredo um pouco fora dos cânones da indústria cinematográfica contemporânea, Reitman apresenta-nos uma não-tão-romântica-comédia-romântica com uma mensagem que nos põe, no mínimo, a reflectir sobre as prioridades da nossa vida.
Carregado com o humor a que Reitman nos começa a habituar, com uma banda sonora toda Bob Dylan – Simon & Garfunkel dos tempos modernos, o realizador conseguiu um filme divertido, pleno de conteúdo e acima de tudo (e para mim, o mais importante) consistente com o que nos apresentara em 2007 com a sua até hoje obra-prima “Juno”.

Auguro um bom futuro a este ainda tão novo e já tão premiado realizador.

Nota Final : 3.5/5

Q

4 comentários:

Rui Fernandes disse...

Grande passo. Vou estar com muita atenção. Parabéns

Fado Alexandrino disse...

Gostei imenso do filme que comentei no meu blog.
Acho que uma das partes importantes é verificar que a vida pode ser um círculo, um homem habituado por treino a despedir no fim é ele propriamente despedido, como anteriormente já tinha sido pela família.
A imagem da mochila penso que está um bocadinho desfocada, o que ele quer dizer, na minha opinião, é que só temos um espaço limitado para transportar e assim é preciso fazer escolhas, não é o mais leva que se tem que transportar é o mais útil que pode variar, como na vida de que a mochila é uma metáfora.
Já gora conforma informa o IMDB os "despedidos" do filme são mesmo despedidos reais.
Há mais coisas a dizer mas não vem ao caso.

João Queirós disse...

Lamento mas não concordo consigo. A imagem da mochila é uma metáfora para o modo de vida que ele leva, algo totalmente livre daquilo que ele não considera essencial. Ele, tal como a mochila, libertou-se de todas as coisas que não achava necessário e que lhe podiam prejudicar o modo de vida que levava. Não foi a família que o despediu, ele é que não os quis "carregar" ás costas.
Quanto aos despedimentos, obrigado pela informação, mas nem todos eram reais. O actor J.K Simmons aparece a fazer de "Bob", um dos despedidos, e já tinha entrado no filme anterior do Reitman a fazer de pai da Juno.

Obrigado pelo comentário!

Fado Alexandrino disse...

Muito obrigado.
Só me falta ver um dos filmes nomeados para o Oscar.
Ontem vi mais um de que dou conta no meu blog.
Este nem para nelhor filme está.
Gostos.
Quanto à mochila, excelente introdução para as palestras, acho que dissemos o mesmo por outras palavras.

É excelente ver um jovem tão interessado e a escrever bem sobre cinema.

 
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